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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Mediocridade geral

Caros (as),

Dos campos de futebol, universo que ultimamente serviu como metáfora de muitas das conhecidas mazelas nacionais (incompetência, corrupção, precariedade de bons projetos coletivos), fez bem a entrevista de Cristóvão Borges, atual treinador do Fluminense, por sua lucidez. O blog Chutebol lembra que perguntou, logo após o histórico vexame dos 7x1 contra a Alemanha, quem se dispunha a pensar aberta e honestamente o futebol brasileiro - para além das picuinhas, em especial entre a imprensa e os treinadores.



O ex-jogador Leonardo, multicampeão nos gramados brasileiros, em recente entrevista também lembrou que acha incompreensível as Copas de '94 e 2002 (que ganhamos com um futebol pragmático) serem vistas com desdém por boa parte da imprensa, visto que a Itália em 2006 foi reconhecida por sua competência neste sentido, assim como a brava equipe argentina agora em 2014, ao reconhecer suas limitações e enfrentar a poderosa Alemanha com bravura e estratégia na final.

Tudo isso se mistura porque, na verdade, parece que a imprensa esportiva brasileira, em sua maioria, se interessa apenas em eleger heróis e culpados. Ao passo que ela poderia cumprir papel muito mais digno se, ao contrário, apresentasse profissionais mais preparados, com perguntas estimulantes, interessantes, mais verdadeiras do que a voracidade exigida pela necessidade de fabricar personagens: vilões e celebridades para vender a uma sociedade já reconhecida ao avesso, por suas carências educacionais. Boa leitura!

"Ao ser indagado sobre a escalação ou não de Fred, Cristóvão Borges não economizou críticas à imprensa esportiva brasileira. Para o treinador do Fluminense, é ela quem fomenta discussões internas e avaliações, na visão do profissional, equivocadas sobre escalação e formação das equipes.

- Olha, no Vasco, em todas as coletivas eu tinha que responder se o Juninho e o Felipe podiam jogar juntos. Aquilo me dava uma tristeza, pois parecia o assunto mais relevante, mesmo nas vezes em que o Vasco fez partidas maravilhosas. Agora, eu pensei que tinha me livrado disso, mas em todas as coletivas são seis ou sete perguntas sobre o Fred. Ele é o grande ídolo, mas as perguntas são de uma pobreza absurda. O Fred não jogou porque precisava se condicionar, ora – argumentou Cristóvão, que continuou:

- Mas quem fomenta isso? Quem faz isso virar notícia? Quem faz enquete instigando a torcida? Metem o pau, dizem que estamos atrasados, mas a imprensa também precisa se preparar. Se a discussão não mudar, a gente vai continuar tomando de sete. No futebol, discutem-se pouco as coisas essenciais. As não relevantes ocupam mais espaço. A gente só discute quando há uma tragédia como a da Copa do Mundo. Aí, todo mundo quer revolucionar tudo, e nada presta. A discussão é que está errada."

[Da página netflu.com.br, de 08/08/14]

2 comentários:

Xaruto disse...

Perfeito,

na minha opinião o Cristóvão é a mente do momento no futebol brasileiro. Tomara que ele consiga espaço e resultados expressivos antes de conseguirem derruba-lo. Pois desse modo acredito que ele consiga carregar muitos outros em esteira.

José Guedes disse...

Valeu, Rodrigo!
Parabenizo sua iniciativa em promover assuntos polêmicos que atravessam nossa cultura, e em especial a esportiva, que queiram ou não, permeiam nossa identidade cidadã.

Abraços,