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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A elegância do craque Alex

Caros,

O blog Chutebol traz a entrevista do meia Alex, craque de bola do Coritiba e da Seleção, com a carreira marcada pelo mais fino trato com a bola. Aqui, ele solta o verbo: fala dos horários das partidas, da CBF, da televisão, do que funciona e do que não funciona no Brasil, da qualidade técnica ruim da maioria dos nossos jogos... Vale muito! Acima de tudo, as críticas são lúcidas e maduras, sem uma postura ressentida, digamos assim. 


"O futebol é uma forma de relação sofisticada entre a bola e o corpo, mais especificamente entre a bola e o pé, porém, e sobretudo, entre a bola e a cabeça. A habilidade para usar o , para realizar jogadas artísticas, criativas e originais só pode ser o resultado de um exercício que começa no momento em que a criança inicia seus primeiros passos. 

Talento e arte complementam e sacramentam esse desenvolvimento. Mas o grande craque se conhece precocemente, no trato que ele dá à bola com o pé, recém saído do berço. Esse pequeno toque é o dedo do gigante.

Para aprender o futebol é preciso, portanto, uma bola, que pode ser uma bola de meia, um grupo de moleques de cada lado, uma rua (de preferência pouco movimentada), quatro tijolos para marcar as barras de cada lado ou, na sua ausência, a bolsa escolar de quatro garotos. Foi assim que começaram todos os grandes craques deste país e, provavelmente, eu não sei de outros países.

Esse cenário rústico (primitivo mesmo) e tão sumariamente descrito constitui, na prática, o laboratório de onde surgiu um dia o projeto de um craque em forma de um moleque de rua. Por esse tempo, as várzeas, as ruas desertas e as ladeiras dos morros ainda não tinham sido descobertas pelos olheiros internacionais e grandes clubes nacionais, como os nascedouros, a céu aberto, de algo mais além do mosquito da dengue."

[Adaptado de 'O Futebol como Linguagem - da Mitologia à Psicanálise'. David Azoubel Neto, 2010]

Um comentário:

Alfredo disse...

Muito boa! Abs,