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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Bolhas

Caros (as),

É muito importante, para crianças e adolescentes, que possam usufruir dos espaços públicos da cidade, pois isto afeta, de maneira positiva, o processo de  socialização. Esta não é algo, digamos, natural. Muito embora escutemos aqui e ali que o humano é bicho sociável, isso só se dá a contento a partir de determinadas condições. Muitos utilizam, mesmo, o termo 'humanização', para se referir à soma da formação da subjetividade com uma inserção social satisfatória. Um gato, já nasce gato. As pessoas se humanizam aos poucos.



A socialização é uma conquista gradativa da criança, na medida em que ela consegue confiar cada vez mais em si própria e no ambiente em que vive. As posturas de defesa podem ceder e, aos poucos, dar lugar à curiosidade, às descobertas, enfim aos engajamentos nas relações com as outras pessoas; com o 'não-eu'.

A busca pela semelhança é natural e faz parte do próprio narcisismo, estruturação fundamental sem a qual não nos mostramos em nossa singularidade. Pode parecer piegas, mas cada um de nós é realmente único. No entanto, quando se torna desmedido, este mesmo narcisismo acaba por configurar uma prisão para o sujeito (embora ele mesmo possa não enxergar). É quando a bolha narcísica não cede e o reconhecimento das diferenças fica dificultado, muitas vezes num nível assustador.

Neste contexto, surgem os comportamentos estereotipados em relação às pessoas percebidas como diferentes: os ressentimentos, os ataques, o não-reconhecimento, a ridicularização e o medo. O 'não-eu' passa a ser visto como uma ameaça que, na cabeça do sujeito nestas condições, legitima seu comportamento infantilizado.

Voltando ao primeiro parágrafo, percebo, atualmente, um predomínio excessivo do convívio social infanto-juvenil nos espaços privados. Refiro-me às classes média e alta. Evidente que não há mal algum nestes lugares (escolas, shoppings, cursinhos, casas de festas, etc), os quais as pessoas também podem aproveitar. Mas as ruas, parques e praças são, por excelência, locais que propiciam o convívio com uma diferença mais profunda - de classes sociais, maneiras de se colocar, jeitos de ser, sutilezas outras que vão enriquecendo a personalidade do sujeito. (Nos estratos mais pobres da população, a percepção comum é justamente a oposta: é preciso tirar as crianças das ruas, para distanciá-las do mundo do crime).

Existem algumas razões para este predomínio dos espaços privados. A primeira e mais evidente é o medo da violência, absolutamente justificado. Se brincar na rua não é seguro, então não se brinca na rua. Outro motivo, não tão incisivo como a violência mas que também influi, é simplesmente a enorme quantidade de carros em trânsito, que tomam atualmente até as ruas menores, mais próprias para o convívio infanto-juvenil (muitos estudiosos têm apontado este fator como relevante). Um trânsito muito intenso, além dos problemas de mobilidade que conhecemos, é ainda por cima danoso à apropriação da cidade pelas crianças. Dá medo.

Um último fator, e talvez o mais importante, seja o próprio imaginário social. A ideia de que pagar para usufruir por todos estes serviços privados resolve o problema da educação, é falsa. Pois se admitirmos, grosso modo, que a educação é a soma das habilidades individuais (cognitivas, motoras, afetivas) com a socialização, se esta última fica reduzida em suas possibilidades, uma parte do processo fica capenga. Por mais que se preencha o tempo infanto-juvenil com cursinhos, deveres e afazeres, isso não é garantia de boa educação, e os países avançados nesta área já descobriram isso. Evidente que as condições de vida, nestes países, são outras.

Enfim, as pessoas vão continuar se socializando. É um ativo da espécie, seja em espaço público ou privado. O que desejei chamar a atenção foi para a qualidade deste processo. Abrir mão, ou menosprezar os espaços públicos neste caminho, significa fazer pouco de valores como a solidariedade, o reconhecimento das diferenças, a sagacidade e outros refinamentos das habilidades sociais humanas.

Que o mundo atual, com suas demonstrações inequívocas de narcisismo desmedido e intolerância - convenhamos - não deveria menosprezar.

Aquele abraço, saudações esportivas

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Horário Regular 2017

Prezados Torcedores Responsáveis,

É com alegria que lembramos de nossa volta às aulas, a partir desta 4af (01 de Fevereiro), em Horário Regular!



Turma / Horário

3ª e 5ª

4ª e 6ª

05 a 07 anos
9h
17h30
10h


08 a 10 anos
8h
18h30
8h

11 a 14 anos

19h30
9h
18h15

Feminino Adolescente

X

17h15

Feminino Adulto

20h30

X

Chutebol de Pais
4ª feira
07h às 08h

A partir de 15 anos
(Juvenil Masculino)

6ª feira
19h15

















Um abraço a todos e até lá!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Horário de Férias 2017

Feliz Ano Novo!



O Chutebol retorna dia 11/01 (4af) às atividades - em horário especial de férias:

4a e 6a:

9h = alunos até 10 anos


17h15 = alunos até 10 anos
18h15 = alunos a partir de 11 anos + Feminino Adolescente.


*Feminino Adulto: 3a e 5a às 20h30.

**Amigos e convidados são muito bem-vindos!

Aquele abraço, saudações esportivas

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Sobre a esperança

Prezados (as),

O blog Chutebol vai entrar de recesso. Não foram poucas as emoções deste, digamos, conturbado 2016. Tenho escutado muitas queixas sobre o ano, mas lembrei que a Terra e o Sol não sabem nada do tempo humano - simplesmente não é do interesse de um, nem de outro. Eles continuam, em seus movimentos, fazendo o que têm de fazer. Ainda que tenhamos precisado inventar as medidas do tempo para nos organizar, louvando ou amaldiçoando-as, o dia continua vindo após a noite.



Isso me lembrou da importância de uma qualidade humana fundamental: a esperança.

É curioso como este tipo de palavra pode, facilmente, cair num otimismo abobalhado, água com açúcar, bem próprio de nossa época. Mas, na verdade, me refiro à esperança como uma qualidade afetiva que remonta aos primórdios da constituição de cada pessoa.

O bebê humano, além dos cuidados biológicos de que precisa em sua empreitada (e que são interpretados por ele, em condições normais, como expressão de amor), já carrega consigo experiências psíquicas primitivas que antecedem a aquisição da fala. Estou falando de sentimentos muito comuns, de experiências de satisfação e alegria, por exemplo, que qualquer pessoa que tenha estado junto a um bebê, com alguma atenção, pode perceber. Dentre estes sentimentos estão também aqueles ruins, ameaçadores, angústias terríveis. Uma delas, devastadora, é perder a esperança. Explico.

Continuar a viver, sabemos, não se resume aos cuidados materiais imprescindíveis. Evidente que, sem estes, a vida também fica em risco. Mas o que quero dizer é que existe, em nossa constituição psíquica, uma demanda além da biologia. Querendo ou não, o bicho humano precisa produzir sentidos para  continuar a viver. E, nos estágios iniciais da vida, isto é proporcionado pelo simples e profundo reconhecimento de existir. Em outras palavras, reconhecemos nossa existência (e o valor dela) quando os outros nos reconhecem.

A mãe que sorri para o bebê, que sorri para a mãe, que sorri de volta, proporciona a ele um motivo para ter gosto em viver. Sem essa dinâmica, convenhamos, fica tudo muito pesado. Isso o empurra adiante, na esperança genuína de voltar a se emocionar e a usufruir daquilo - e de todas as outras coisas boas que a pessoa vai descobrindo, se tudo correr razoavelmente bem. As representações afetivas vão ganhando complexidade ao longo da vida.

Os pais da foto acima, na última semana, me remeteram a essa ideia. As crianças precisam que os adultos acreditem em alguma coisa. Noutras palavras, que não percam a esperança. Para que elas possam sorrir de volta. Valorizar as atividades infantis, como um jogo de futebol,  por exemplo, é uma maneira de estas coisas ganharem expressão.

O otimismo ingênuo é diferente da esperança. O primeiro tenta negar as dificuldades. A segunda só existe, justamente, por reconhecê-las - e empresta sentido às nossas vidas. O dia continua vindo após a noite.

Desejamos a todos um Feliz Natal - e um 2017 com esperanças renovadas!

Aquele abraço, saudações esportivas