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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Finais: Copa Futsal 2016

Prezados Torcedores Responsáveis,

Acompanhem abaixo os jogos finais da Copa do Mundo de Futsal 2016 - as semifinais e finais são no mesmo dia:



SÁBADO [03 de Dezembro]:

Semifinais:

14hUruguai x Argentina (sub-12)
14h30 = Peru x EUA (sub-12)
15h = Nigéria x Costa do Marfim (sub-14)
16h = Portugal x Croáciaa (sub-10)
16h30 = Bélgica x Itália (sub-10)


Finais (*em caso de classificação da equipe):

17h = Final da categoria sub-12
17h30 = Final da categoria sub-14
18h = Final da categoria sub-10

*Todos os jogos no Clube Militar. 
**Comparecer com o uniforme da respectiva equipe/país, 15 minutos antes do horário previsto.

Vamos com tudo! Venha torcer pelos amigos!
Aquele abraço, saudações esportivas

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Sobre o trabalho do luto

Caros amigos e amigas,

Diante do choque da terrível tragédia desta última terça-feira, e por ter uma pessoa muito querida envolvida, me ocorreu que talvez pudesse escrever alguma coisa diante da tristeza e da sensação de absurdo, de falta de sentido que nos toma. Após conversar com alguns pais, resolvi elaborar um pequeno texto sobre o trabalho do luto.

Do ponto de vista psíquico, o luto é uma dolorosa retirada do quantum de afeto que nos unia à pessoa amada. Trata-se de um processo psíquico humano, natural, que não acontece somente a partir do falecimento de um ente querido; mas também em muitas outras separações (familiares, amorosas etc). A morte seria, assim, a separação humana em última instância.

O trabalho do luto é acionado para que possamos viver a dor e chorar a tristeza de nos despedirmos daqueles que amamos. O luto em si é este processo de desligamento ao qual me referi, justamente para que, após isso, a vida possa prosseguir. Numa situação trágica, a intensidade dos acontecimentos pega o aparelho psíquico desprevenido, e o luto se dá com uma maior dificuldade de aceitação. Muitas pessoas podem entrar em estado de choque e precisar de amparo acima do normal, inclusive médico.

Muitas vezes as pessoas entram, inconscientemente, em estado de negação nestas situações. Ou, ainda, utilizam mecanismos de defesas psíquicas - inconscientes - de modo a não enfrentar a dor da perda (quando a pessoa se vê impedida de chorar, ou de sensibilizar-se). Nestes casos, normalmente, a dor acompanha o sujeito por tempo indefinido, já que a elaboração da perda do ente querido foi impedida. É quando se dá o que chamamos de 'fantasmas', no sentido de que aquele que ficou não deixa o outro partir em seu imaginário. Conheço inúmeros casos de pessoas que só puderam chorar a morte de alguém muitos anos depois (muitas vezes com ajuda de análise ou outra terapia), pois a própria família negava o direito de chorar, com frases do tipo "ele quer que você se lembre só das coisas boas" - e outras negações.

Com relação à questão religiosa, o luto é livre: ateus, espíritas, umbandistas, católicos, budistas, agnósticos, muçulmanos, judeus e o que mais existir, em sendo humano, está apto ao trabalho do luto. A necessidade do amparo encontra, para cada pessoa, as ferramentas com que ele ou ela utiliza para explicar o mundo e o fenômeno humano, na busca por sentido que todos nós, queiramos ou não, fazemos para continuar vivendo. Quem não encontra sentido algum, adoece severamente.

No caso das crianças, o que tenho percebido é que a melhor maneira de explicar a morte é aquela com a qual os pais ou responsáveis se identificam. A criança aceita de bom grado estas explicações, normalmente entristece junto, e aí começa o trabalho de luto dela com amparo do adulto, o que é muito importante. Se o pai tem algum religião que explica a morte e os espíritos de uma determinada maneira, é fundamental que compartilhe isto com a criança, de modo que alguma coisa faça sentido para ela. Se for ateu, a explicação dos fenômenos naturais é igualmente necessária, com o mesmo cuidado que os religiosos utilizam para escolher as palavras - sem jamais negar o fato ocorrido.

Por fim, desejo ressaltar que o trabalho do luto não é somente o da perda: a partir de um certo momento em que vamos podendo aceitar essa despedida, a pessoa continua em nós, mas no melhor lugar que pode nos habitar: em nossos corações. Após viver e elaborar as tristezas mais profundas, as melhores lembranças serão as que, efetiva e legitimamente, nos habitarão.

Fiquemos juntos.

Obrigado por tudo, Vitu.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Aulas suspensas

Prezados Torcedores Responsáveis,

Em virtude do falecimento do repórter e amigo Victorino Chermont (o Vitú), pai de nosso aluno Victorino, na tragédia do avião que levava a equipe da Chapecoense, as aulas desta terça-feira (29/11) e de quarta-feira (30/11) estão suspensas. Retornamos às atividades na quinta-feira (01/12).

Vitú era um entusiasta do Chutebol.

Estamos de luto. Obrigado pelo apoio de todos.

Copa Futsal 2016: Resultados da 4a Rodada

Prezados Torcedores Responsáveis,

Confiram abaixo os resultados da emocionante 4a Rodada da Copa do Mundo de Futsal 2016! O Chutebol beliscou um caneco e um vice-campeonato na categoria sub-8 com Gana e Camarões, num jogo que nos encheu de orgulho! Lembrando que nosso álbum de fotos está em:



[Dois times, muitos amigos]

As demais categorias ainda terão semifinais e finais a serem disputadas no próximo sábado (03/12). Aguardem a definição dos horários. Logo abaixo, os comentários.


Uruguai 3x1 Paraguai (sub-12)
Peru 1x1 EUA (sub-12)
Nigéria 1x3 Rep. Tcheca (sub-14)
Austrália 1x3 Costa do Marfim (sub-14)
Portugal 3x0 Holanda (sub-10)

Camarões 0x1 Gana (sub-8)
Bélgica 0x3 Croácia (sub-10)
Inglaterra 2x5 Itália (sub-10)


> Comentários

Camarões e Gana precisam aparecer no topo dos comentários. Porque estiveram no topo das emoções nesta rodada. A categoria sub-08 não tem finais. É um acordo entre os professores, na tentativa de mitigar o impacto emocional de uma competição assim, nesta idade. Não quer dizer que não vá ter jogos decisivos, mas o sistema de pontos corridos sem finais visa, justamente, diferenciar as exigências para cada faixa etária. Dito isto, é forçoso reconhecer: as duas equipes fizeram uma verdadeira final. E que final!

Que dizer? Que o jogo foi equilibrado? Que as equipes se respeitaram? Que se estudaram e avançavam sempre com cuidado, prestando atenção aos detalhes? Que havia um forte bloqueio no meio da quadra, de ambas as partes? Que, mesmo com Gana talvez tendo um volume de jogo ligeiramente maior, nenhum dos times dominou a partida? Que o gol saiu no final, chorado, após uma disputa absolutamente equilibrada? Sim, tudo isso aconteceu. Mas o que desejo ressaltar é outra coisa.


[Preleção e entrada em quadra: juntos]

Estas crianças, estes jogadores mirins, tiveram a oportunidade de encarar um desafio inusitado: jogar contra os melhores amigos. Mais que isso, decidir um campeonato! A exigência emocional deste tipo de situação põe à prova uma maturidade competitiva em nível extremamente alto. Como é ter que derrotar o melhor amigo? Ou muitos amigos? Devo jogar para ganhar? Devo diminuir a intensidade do jogo em prol do amigo? Se eu derrotá-lo, ainda seremos amigos? Devo fingir para mim mesmo, durante a partida, que não somos amigos para que eu possa vencê-lo?

Tudo isso se passa, quer o adulto queira, quer não, na cabeça da criança. Nem que seja de maneira inconsciente. Por mais que pais e professores expliquem detalhadamente sua própria visão da situação. Alguns vão lidar com isso melhor do que outros. Mas o jogo que vimos foi, acredito, de uma emoção redobrada - eles deram uma aula aos adultos. Camarões e Gana conseguiram sustentar, no calor da disputa, o seguinte paradoxo: "Eles são meus amigos e vou jogar para vencer". Não 'mas'. Explico.

A maior demonstração de respeito ao adversário é jogar para vencer. Pois, neste caso, o adversário é reconhecido como tal, oponente digno de minha demonstração de força. Ao contrário, jogar de maneira condescendente demonstra menosprezo pela força daquele que está ali justamente para ser batido, aceitando o risco do embate. Camarões e Gana, entre o nervosismo, as oscilações de rendimento, os medos, ilusões e desejos de cada jogador, jogaram para vencer. E foi isso o que nos proporcionou tamanha emoção no confronto. A maior demonstração de esportividade e amizade genuína foi dada por estes jogadores, pois puderam acreditar que seus amigos/adversários eram (e foram) capazes de suportar seu desejo de ganhar a partida e o título. Confesso que fiquei emocionado.

No final, com um gol de Antonio Ketter (no dia de seu aniversário), Gana estufou as redes, balançou o ginásio e levantou o caneco com toda justiça. Camarões, com sua excelente campanha, ficou com o vice-campeonato. Ao me despedir, ouvi de um jogador que havia perdido a partida: "Professor, o mais legal é que este troféu fica no clube, né? Porque as duas equipes são daqui!". É isso aí: ganhamos todos!

[Vice-Campeão!!]

[Campeão!!]

***
O Uruguai é um time que não se rende: mesmo desfalcado do craque Rafinha, sapecou 3x1 de virada com ótima atuação coletiva e criatividade no ataque, passando às finais com todos os méritos!

O Peru enfrentou uma pedreira e saiu na frente com um golaço! Sofreu o empate, mas soube resistir às investidas do adversário adotando uma postura defensiva, sem abrir mão dos contragolpes. Passa com força às semifinais!

A Nigéria foi, como conversamos, vítima de um antigo adágio do futebol: quem não faz, leva. Pressionou a República Tcheca, criou inúmeras oportunidades mas acabava levando gols em contra-ataques ou em falhas defensivas. Por incrível que pareça conseguiu passar de fase, ao apagar das luzes... Não diria que tem jogado mal, mas falta consistência para se impor e conseguir vitórias. Vamos às semis com atenção redobrada!

A Austrália jogou contra a melhor equipe da categoria e perdeu. Encerrou sua campanha sem ter vencido, com dois empates e duas derrotas. No entanto, se estamos falando do esporte como ferramente de educação, é preciso ressaltar: a Austrália conseguiu mudar sua atitude ao longo das partidas. Evoluiu, procurou reagir, não se entregou. Caiu de pé, como é nossa proposta, de não desistir do jogo nem da competição. Jogou até o final e atravessou com dignidade a dura experiência de uma campanha sem vitórias. Até 2017!

Portugal cresceu demais ao longo da copinha! Evoluiu jogo a jogo, venceu a boa equipe da Holanda (que buscava uma vaga) por três gols de diferença e chega com muita consistência às finais.

A Bélgica acusou um golpe que já havíamos alertado: havia vencido todas as partidas mas, de alguma maneira, sentíamos que ainda assim se mostrava irregular no decorrer de cada jogo. Contra a Croácia (que é um baita time), não se encontrou em quadra e, mesmo com alguns bons momentos, não foi forte o suficiente para mudar o placar. Vamos às finais com todos os méritos, mas em busca de maior regularidade.


A Inglaterra... ah, a Inglaterra... Foi dolorido. Uma equipe que tinha feito duas apresentações de encher os olhos e despontava como favorita, sofreu um duro revés: abriu o placar, teve chances para liquidar a partida, mas... Levou a virada e se abateu profundamente. Perdeu a vaga nas semi para a Itália, que fez um jogo aguerrido e intenso. Vacilamos em momentos cruciais da partida - e a derrota veio, impiedosa, como muitas do almanaque do futebol. Aos jogadores, incrédulos e decepcionados, restou o acolhimento e uma mensagem um pouco dura: tive a sensação de que fomos tomados pelo medo de perder. Como se perder não estivesse no script. Mas está, sempre está. É preciso arriscar-se ao jogo para espantar o medo! Fica a aprendizagem e as boas lembranças de ótimos momentos.

***



Agradecemos novamente às famílias pelo apoio. A alegria dos que venceram foi devidamente celebrada. A dor dos que perderam, acredito, foi acolhida. Muitas vezes essa dor vem com um sentimento de decepção, que remete a uma certa incredulidade: "Mas COMO eu perdi??". Isto é comum em equipes que fazem excepcionais campanhas e perdem no último momento; em equipes que são consideradas boas, ótimas, vistosas até - mas que por isso mesmo acreditam que a vitória virá a qualquer hora, quase por mágica. Camarões e Inglaterra passaram por isso, respectivamente. O mundo desaba nos ombros.

O futebol é muito duro. Muito, mesmo. Mas atravessar estes revezes, sabemos, ajuda o sujeito a se equipar para as próximas jornadas. Para se refazer, assimilar a derrota, chorar o choro dos justos e... jogar de novo! Para isso, eles contam conosco, adultos - e é a partir da nossa capacidade de lidar com a derrota que eles o farão.

Aquele abraço, saudações esportivas