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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Copa Futsal 2014: Resultados da 1a Rodada

Prezados Torcedores Responsáveis,

A 1a Rodada da Copa do Mundo de Futsal/2014 foi uma grande festa! Uma dureza a cada jogo, que exigiu muito suor da molecada - como sempre! Então seguem abaixo nossos resultados nos jogos deste último final de semana:

[A Espanha goleou: 4x0]
Resultados da 1a Rodada:

Itália 6x0 Alemanha (sub-10)
Suíça 2x2 Bósnia (sub-10)
Peru 2x2 EUA (sub-12)
Austrália 3x3 Paraguai (sub-12)
Japão 1x4 Irã (sub-14)
Espanha 4x0 Rússia (sub-10)
Uruguai 4x1 Equador (sub-12)

*Comentários:

É realmente muito interessante poder observar as diversas aprendizagens dos jogadores - dos mais antigos aos mais novinhos. E o que ficou marcado nessa primeira rodada foi uma coisa muito legal: nossas equipes apresentaram uma ótima capacidade de reação. Senão, vejamos: Suíça, Peru, Austrália, Japão e Uruguai saíram perdendo suas partidas logo no início. Sendo que os três primeiros por diferença de dois gols, logo de cara.

Ora, se já em equipes profissionais é algo que exige muito do atleta o poder de superação num momento adverso, que dirá de crianças e adolescentes que não treinam para o desporto de rendimento. Assim que, das sete partidas que disputamos, começamos perdendo em cinco delas. Claro, ficou aí também outra mensagem: estamos entrando nas partidas desatentos (ou talvez muito nervosos, né? Dá um gelinho na barriga danado aquele ginásio cheio...). 

Fizemos tudo como sempre: uma boa conversa antes, um aquecimento sem bola, depois com bola - mas o fato é que, se não começamos muito bem na maioria das partidas, os jogadores puderam dar um show na recuperação levando a jogos emocionantes, em que poderíamos também ter vencido. Aliás, o Uruguai, no vira-vira, emplacou uma bela goleada!

No fim das contas, consideramos boa nossa estreia. Colocamos em quadra o que treinamos: acertamos e erramos como sempre - mas com uma tremenda vontade de vencer! Agradecemos às famílias pelo apoio e pelo carinho e, no final de Setembro, tem mais!

*Não deixem de mandar as fotos para postarmos em nosso álbum na web!

Aquele abraço, saudações esportivas

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Copa Futsal 2014 - 1a Rodada

Prezados Torcedores Responsáveis,

É com muita alegria que anunciamos a abertura da Copa do Mundo de Futsal 2014 - no próximo final de semana, dias 30 e 31 de Agosto. Seguem abaixo as equipes do Clube Militar/Chutebol, em suas respectivas categorias:

[Invadiu a área...]
Categoria sub-10
Itália: [Rafinha, Barnardo Klautau, Bernardo Pessoa, David, Vicente Ferran, Rafael Protasio, Caio Tavares.]

Suíça: [Breno Manhães, Rafael Tavares, Leo Zagury, Vinícius Pagani, Felipe Flit, Pedro Bermudes, Diogo Mattos.]

Espanha: [Gianluca, Eduardo Fontoura, Felipe Miranda, Pedro Pereira, João Victor, Mariano, Théo.]


Categoria sub-12
Peru: [Gabriel Quintas, Paulo, Lucas Brandão, JP Gress, Vitor Cabeda, Antonio Balesdent, Marcelo Castellani.]

Austrália: [João Belfort, Tom, Rafael Bittencourt, Tomás Neves, PH Cardoso, Tiago Athias.]

Uruguai: [Heitor Martinelli, Pedro Caldas, Gabriel Sierra, Antonio Porto, Pedro Igreja, Breno Padilha, JP Drummond, Vinícius Velozo.]


Categoria sub-14
Japão: [Tiago Salem, Gabriel Leconte, Miguel Miranda, JHenrique, Robin, Pedro Manhães, Francisco Porto, Antonio Vergueiro.]

[Driblou o goleiro...]
Jogos da 1a Rodada:

SÁBADO [30 de Agosto]:
14h = Itália x Alemanha (sub-10)
14h30 = Suíça x Bósnia (sub-10)
16h30 = Peru x EUA (sub-12)
17h = Austrália x Paraguai (sub-12)
17h30 = Japão x Irã (sub-14)
18h30 = Espanha x Rússia (sub-10)

DOMINGO [31 de Agosto]:
14h = Uruguai x Equador (sub-12)

*Todos os jogos no Clube Militar. Comparecer uniformizado, 15 minutos antes do horário previsto.

[Só não entrou de bola e tudo porque teve humildade em gol...]


[E foi pra galera!!]

** Pois bem, mais uma vez contamos com o apoio das famílias: o momento da competição é bastante difícil pois, ao mesmo tempo em que é esperado com muita expectativa pelos jogadores, é também aonde eles estarão sob um estresse maior. Lembramos que, por exemplo, dentro de uma mesma faixa etária existem jogadores mais ou menos habilidosos, com maior ou menor maturidade biológica e força. Tudo isso influi. Assim, o que esperamos é poder preparar bem os alunos para enfrentar essa parada, no sentido de saber se portar em quadra, ajudando os companheiros, cumprindo com as orientações e, é claro, colocando no jogo sua criatividade, seu jeito de jogar - sempre com suor e garra, coisas que eles mesmos cobram uns dos outros.

O papel do adulto (pais e professores) é o do suporte, pois não se enganem: a criança e o adolescente assimilam demais a maneira como nós vivemos o esporte. Podemos falar e ter o discurso que for mas, se na hora do sangue quente, nós mesmos não soubermos como reagir às adversidades (e manter alguma lucidez), eles fatalmente seguirão pelo mesmo caminho.

Então, vamos lá! Vamos viver com os nossos craques essa paixão pelo futebol, ajudando-os a, como nos lembrou Drummond, "perder, ganhar, viver..."

Aquele abraço, saudações esportivas

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O tempo da Infância

Prezados (as),

No cotidiano do Chutebol temos ficado particularmente impressionados, nós professores, com a questão do tempo de que cada aluno precisa para amadurecer suas qualidades e desenvolver seu potencial. Claro, não estamos falando aqui somente das habilidades exigidas pelo esporte, mas de algo muito mais profundo: da própria capacidade da criança em poder aproveitar a infância enquanto tal.


Explico: me parece que vivemos num mundo realmente novo. Não enxergo aí uma qualidade ou um defeito. Mas absolutamente diferente da Modernidade, do século XX que ficou para trás. É completamente diferente. A entrada implacável da tecnologia e do discurso da Ciência em nosso cotidiano (muito mais do que em filmes de ficção ou em universidades de excelência) encontrou na infância campo fértil para afirmar suas descobertas - mas também seus interesses.

Daí lembro que a infância não é um dado biológico, como costumamos afirmar aqui: não há nenhuma lei natural que determine o que ela é. A infância, tal como a conhecemos (conhecíamos??), tem pouco mais de duzentos anos. O conceito de um ser humano em formação e que, portanto, necessita de determinados cuidados, de um tempo e de uma medida próprios, é uma invenção do ser humano - uma construção social, cultural. "Ser criança não significa ter infância" é uma frase que o Chutebol adotou. A quantidade de demandas a que as crianças do século XXI estão submetidas e devem atender (se quiserem ter 'sucesso' na vida) parece particularmente dramática.

O projeto científico de um indivíduo que precisa se desenvolver, apressadamente, no sentido de completar tais e tais lacunas em seu desenvolvimento, tem sido o pano de fundo de impossibilidades e sofrimento por parte de muitas crianças - famílias inclusas. Pois bem, voltamos de onde não saímos: aí está a questão do tempo que abre o texto. Tenho ficado realmente impressionado quando, ao invés de exigir isso ou aquilo do fulaninho, pressionando-o novamente, resolvo deixá-lo um pouco mais à vontade para fazer as coisas ao seu jeito. Com tempo. É batata. Quando a espontaneidade entra em cena, quando a criança pode se apropriar de um projeto, uma ideia, um treino, uma brincadeira como sendo sua - aí há o investimento total dela: físico, psíquico, psicomotor. Ao perceber que pode fazer as coisas à sua maneira, no seu ritmo, a criança pode se entregar à atividade, pode colocar em cena a sua singularidade. A psicanálise vai chamar isso de desejo.

Não se trata de abir mão da disciplina necessária ou dos afazeres fundamentais em qualquer rotina, mas do excesso. Isso faz mal à infância. A falta de orientação e cuidado (abandono), claro, também. É certo que o mundo mudou e a História não roda para trás. Mas a infância, se desejamos preservá-la enquanto tal, simplesmente exige um tempo diferente. É hora de pensar em como se posicionar diante das hiper coisas: hiper-modernidade, hiper-conectividade, hiper-competitividade. Não podemos apenas ficar embasbacados seguindo um fluxo alucinante. Duvido que os adultos também não sintam esse mal-estar. Está na cara.

A criança precisa de um tempo diferente do tempo adulto para se organizar, fazer suas coisas, brincar e viver melhor. Este é precisamente o tempo daquilo a que resolvemos chamar Infância.

Aquele abraço, saudações esportivas

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Mediocridade geral

Caros (as),

Dos campos de futebol, universo que ultimamente serviu como metáfora de muitas das conhecidas mazelas nacionais (incompetência, corrupção, precariedade de bons projetos coletivos), fez bem a entrevista de Cristóvão Borges, atual treinador do Fluminense, por sua lucidez. O blog Chutebol lembra que perguntou, logo após o histórico vexame dos 7x1 contra a Alemanha, quem se dispunha a pensar aberta e honestamente o futebol brasileiro - para além das picuinhas, em especial entre a imprensa e os treinadores.



O ex-jogador Leonardo, multicampeão nos gramados brasileiros, em recente entrevista também lembrou que acha incompreensível as Copas de '94 e 2002 (que ganhamos com um futebol pragmático) serem vistas com desdém por boa parte da imprensa, visto que a Itália em 2006 foi reconhecida por sua competência neste sentido, assim como a brava equipe argentina agora em 2014, ao reconhecer suas limitações e enfrentar a poderosa Alemanha com bravura e estratégia na final.

Tudo isso se mistura porque, na verdade, parece que a imprensa esportiva brasileira, em sua maioria, se interessa apenas em eleger heróis e culpados. Ao passo que ela poderia cumprir papel muito mais digno se, ao contrário, apresentasse profissionais mais preparados, com perguntas estimulantes, interessantes, mais verdadeiras do que a voracidade exigida pela necessidade de fabricar personagens: vilões e celebridades para vender a uma sociedade já reconhecida ao avesso, por suas carências educacionais. Boa leitura!

"Ao ser indagado sobre a escalação ou não de Fred, Cristóvão Borges não economizou críticas à imprensa esportiva brasileira. Para o treinador do Fluminense, é ela quem fomenta discussões internas e avaliações, na visão do profissional, equivocadas sobre escalação e formação das equipes.

- Olha, no Vasco, em todas as coletivas eu tinha que responder se o Juninho e o Felipe podiam jogar juntos. Aquilo me dava uma tristeza, pois parecia o assunto mais relevante, mesmo nas vezes em que o Vasco fez partidas maravilhosas. Agora, eu pensei que tinha me livrado disso, mas em todas as coletivas são seis ou sete perguntas sobre o Fred. Ele é o grande ídolo, mas as perguntas são de uma pobreza absurda. O Fred não jogou porque precisava se condicionar, ora – argumentou Cristóvão, que continuou:

- Mas quem fomenta isso? Quem faz isso virar notícia? Quem faz enquete instigando a torcida? Metem o pau, dizem que estamos atrasados, mas a imprensa também precisa se preparar. Se a discussão não mudar, a gente vai continuar tomando de sete. No futebol, discutem-se pouco as coisas essenciais. As não relevantes ocupam mais espaço. A gente só discute quando há uma tragédia como a da Copa do Mundo. Aí, todo mundo quer revolucionar tudo, e nada presta. A discussão é que está errada."

[Da página netflu.com.br, de 08/08/14]

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ainda a medicalização da infância

Prezados (as),

O assunto não é bolinho e tem repercutido (ainda bem!) por muitos cantos. É sempre importante lembrar que não se trata, assim pensamos, de ignorar ou menosprezar o sofrimento alheio - mas sim de adotar uma postura de reflexão, crítica se necessário. Daí que trazemos o texto abaixo, que alfineta a concepção de normalidade forjada nos manuais de psiquiatria do século XXI. Quais interesses estão por trás disso? A singularidade do sujeito não está espremida por esta suposta normalidade? Por que a infância ficou tão submetida a estes parâmetros? Einstein costuma ser lembrado nessas horas, já que se fosse categorizado hoje dificilmente teria havido espaço para sua genialidade, visto que seria 'tratável'. 
 Einstein

Mas afinal, o ser humano é uma sobreposição de peças que precisam funcionar de determinada maneira - mais ou menos igual para todos? Claro, não podemos cair também num romantismo piegas sem sal, como se não existissem eixos para balizar doença e saúde - mas perguntamos: o pessoal não está exagerando, não???  Boa leitura!

“Foco” é a palavra de ordem nas escolas e no mercado de trabalho. Para vencer na vida, a dispersão de atenção para outros interesses além das tarefas do dia a dia é não apenas mal vista: é diagnosticável como um transtorno mental passível de cura. De acordo com uma ala da psiquiatria, essa ideia de “transtorno” parte de duas premissas. Uma é semântica. Ela suaviza a ideia de “doença mental” e passa a ser usada como uma espécie de identidade psíquica por meio de nomenclaturas como “TOC”, “TDAH”, “hiperatividade”, “bipolaridade”, “ansiedade” e “transtornos de humor”.

A outra dita que, por trás da desordem, existe uma ordem. Nesta ordem, o estudante estuda e o trabalhador trabalha. Em nome dela nos medicamos. Cada vez mais e, segundo especialistas, sem que sejam levados em conta os impactos, para as crianças e suas famílias, do diagnóstico e da medicação. Quem analisa os índices de tratamento à base de drogas psicoativas imagina que o planeta enfrenta hoje uma “epidemia” de transtornos mentais. Nos EUA, uma em cada 76 pessoas são hoje consideradas incapacitadas por algum tipo de transtorno – em 1987, este índice era de uma em cada 184 americanos. O número de casos registrados aumentou 35 vezes desde então.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 46% da população se enquadrariam nos critérios de doenças estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Tais diagnósticos criaram um mercado poderoso de medicamentos psicoativos – o que significa medicar tanto pacientes com crises agudas de ansiedade até crianças diagnosticada com grau leve de “hiperatividade” ou “espectro de autismo”, a chamada síndrome de Asperger. Essas crianças precisam manter o “foco” na sala de aula se quiserem ter alguma chance de passar no vestibular.

A pressão sobre elas em um mundo cada vez mais competitivo cria um consumidor fidelizado: a criança que hoje precisa de medicamento para se manter em alerta será, no futuro, o adulto dependente de medicamentos para dormir. Essa pressão, apontam estudos, tem origem na sala de aula, passa pela sala da direção, chega aos pais como advertência e desemboca na sala do psiquiatra, incumbido da missão de enquadrar o sujeito a uma vida sem desordem.

Mas como cada categoria de transtorno mental é construída e delimitada? Quais pressupostos fazem com que determinados comportamentos e/ou estados emocionais sejam considerados normais e outros, não? Quem definiu que uma criança com foco na sala de aula é normal e uma desconcentrada é anormal? Qual é, enfim, a “ordem” que a prática psiquiátrica visa a garantir?

Essas questões serão temas de debates em um ciclo de encontros do Café Filosófico CPFL, sob curadoria do professor livre-docente em Psicopatologia do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira, a partir de 8 de agosto. As palestras serão gravadas todas as sextas-feiras ao longo do mês, às 19h, e os interessados de todo o País podem acompanhar as gravações e enviar perguntas ao vivo pelo portal. Além de Costa Pereira, participam do módulo o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Uerj Rossano Cabral Lima, o professor da Universidade da Califórnia Naomar Almeida Filho e o psiquiatra da infância e adolescência e consultor do Ministério da Saúde Fernando Ramos.

Se for esta a normalidade que tanto buscamos, o mundo teve sorte por não ver visionários como Bill Gates, Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula nos dias atuais. Todos eles tinham dificuldade em socialização, comunicação e aprendizado. Sofriam, em algum grau, de espectro de autismo, e seriam facilmente transformados em bons alunos, diagnosticados, tratados e medicados. O mundo perderia quatro gênios, mas ganharia excelentes funcionários-padrão, contentes e domesticados."

[Da Redação da Carta Capital, em 04/08/2014]