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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Aulas canceladas à tarde

AULAS DA TARDE CANCELADAS
Boa tarde a todos,
O Clube Militar conseguiu abrir, porém funcionando com capacidade bastante reduzida de funcionários de limpeza, vestiário, bar, portaria, enfermaria etc.


Nestas condições, não nos dispomos a atender nosso público, especialmente por ser infanto-juvenil. Não podemos nos responsabilizar.
Por favor, avisem aos colegas mais próximos.
Obrigado e até semana que vem.


Aquele abraço, saudações esportivas

Aulas canceladas pela manhã

AULAS CANCELADAS

Bom dia a todos,

O Clube Militar conseguiu abrir, porém funcionando com capacidade bastante reduzida de funcionários de limpeza, vestiário, bar, portaria, enfermaria etc.
 
Nestas condições, não nos dispomos a atender nosso público, especialmente por ser infantil. Não podemos nos responsabilizar.

Por favor, avisem aos colegas mais próximos.

Obrigado e até semana que vem,

aquele abraço, saudações esportivas

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Amigos

A aula ainda estava no início, mas o fulaninho parecia amuado. Não era de seu feitio. O professor se aproximou, assim como quem não quer nada. Desconversou pra cá e pra lá, mas o menino não deu muita bola. Passados alguns minutos, o aluno vai ao mestre e diz: "A turma hoje tá meio vazia, né?" - e faz cara de muxoxo, como quem espera uma resposta definitiva.


O professor tinha uma fração de segundos para juntar os cacos desta pequena história e tentar entender o que o rapazinho queria dizer de verdade, nas entrelinhas. Aquilo que escapa, que não tem uma lógica aparente (especialmente aos olhos do adulto), mas que exige uma resposta. O professor, evidentemente, era eu. Num par de tempos, dei uma geral na turma com os olhos, não estava vazia. Dois ou três haviam faltado, foi aí que me dei conta: zezinho, melhor amigo do fulaninho, não estava lá. A sofisticação das demandas infantis exige uma sagacidade do adulto. É claro que, sem o melhor amigo presente, a turma parecia vazia.

Me abaixei um pouco, o tanto que os joelhos hoje permitem, e tentei esclarecer a situação. Um pequeno drama que merecia atenção mais cuidadosa, mesmo com a aula rolando e o relógio pressionando como sempre, neste século apressado. "Olha fulano", comecei, "parece que o Zezinho não veio hoje. Deve ser por isso que você sentiu que a turma estava vazia. Vamos contar?" E contamos. Dezessete alunos, se não me engano. De um total de vinte. Mas não importava a quantidade. Era de afeto que ele estava falando. Um bastante precioso: a amizade. Eles estão ali pelos cinco anos e se importam muito com essas coisas.

Interessante foi perceber que, diante da minha explicação, o aluno pôde dar vazão a um sentimento e, mais do que isso, reconhecê-lo, atá-lo à realidade, que não era exatamente a que ele desejava. Fulaninho conseguiu me dizer, à sua maneira, que estava se sentindo só, mesmo cercado de gente. Experimentava um sentimento de solidão. Quem nunca?

Intuo que, se eu deixasse passar aquela pergunta como uma bobagem, o aluno estaria em vias de dar uma desculpa qualquer, não fazer a aula, treinar arrastado. Ao contrário, quando alguém conseguiu escutá-lo, ajudou a decifrar o mistério contido naquela frase ('a turma está vazia', mesmo que a quadra estivesse cheia). 

Ajudar a criança a reconhecer aquilo que ela sente é um convite a atravessar momentos mais difíceis. A negociação com a realidade é uma habilidade que o sujeito vai adquirindo enquanto amadurece, e para isso conta com a ajuda das pessoas que funcionam como referência. Diante do sentimento de solidão, que pesou, o menino da história estava meio paralisado, não sabia muito bem o que fazer com aquele incômodo.

Em algum lugar da sua psique ele sabia o que estava acontecendo, daí a frase engenhosa apontando para o vazio. Que, na verdade, não era na quadra, mas em seu coração. Precisou da minha ajuda para que eu confirmasse a realidade - interna e externa! Ao se sentir ajudado, voltou a treinar numa boa, apesar da ausência do melhor amigo naquele dia. Fez sua travessia cotidiana.

Aquele abraço, saudações esportivas

quinta-feira, 6 de abril de 2017

De fora da festa

O imaginário social do futebol produz os estereótipos e os mitos comuns às paixões humanas. O desempenho dos jogadores faz com que sejam alçados às diferentes categorias, desde o mais simplório perna-de-pau ao mais festejado e sofisticado craque. O bom e o ruim, o vencedor e o perdedor, são alcunhas que vão se colando à imagem deste ou daquele jogador e, no ambiente profissional do alto rendimento, praticamente determinam a sorte de cada um.


Uma crítica que compartilho com outros profissionais que trabalham na educação esportiva é a de que, muitas vezes, a régua para medir o desempenho de adultos profissionais chega da mesma maneira ao desporto infanto-juvenil. Digo, o imaginário social ao qual me referi acima, muitas vezes, não utiliza o filtro da infância para perceber e tratar o futebol de maneira diferente, adaptando as exigências de performance às propostas realmente pedagógicas - justamente aquelas que irão fazer a diferença para a imensa maioria dos jogadores mirins, que não irão se profissionalizar.

Recentemente o treinador Rogerio Micale, campeão olímpico de futebol pela Seleção Brasileira, deu entrevista criticando o modelo utilizado pela maioria das escolinhas de futebol, modelo que se baseia numa simples importação do treinamento adulto diretamente para o infantil, que coloca as atividades e estratégias lúdicas e pedagógicas apenas como uma franja do treinamento específico. Isto faz com que muitos aspectos sociais, afetivos e até morais, que devem estar incluídos num programa de educação (inclusive desportiva), simplesmente fiquem de fora da festa. Que festa?

A festa dos 'bons'. Porque assim é que acaba acontecendo. Tenho recebido queixas e lamúrios de dedicados profissionais da área, plenos de bagagem, competência e experiência, bastante decepcionados com a prática da moda em muitas escolinhas, em especial em grandes clubes: o processo de seleção (!!) de alunos. 

Esta prática medonha visa, como diz o nome, selecionar aqueles mais aptos para a prática do futebol / futsal. Trocando em miúdos, a antiga peneira dos clubes para descobrir talentos, plenamente justificada pela necessidade de performance no desporto de alto rendimento (jogos oficiais dos clubes, das federações), chegou às escolinhas de futebol - local aonde, supostamente, seria de espaço para todos, os pernas-de-pau e os que levam jeito, privilegiando o convívio, o brincar de bola e as aprendizagens elementares. Num termo da área, o que chamamos de Iniciação Desportiva.

A decepção destes profissionais diz respeito tanto ao ouro de tolo que estes clubes oferecem (venda de sonhos de se tornar jogador num passe de mágica, viagens, prêmios etc); ao sentimento de exclusão que muitas crianças e adolescentes são expostos, no sentido de simplesmente não serem aceitos numa 'escola' (??) que só pode ensinar para os bons; e, por último, à cultura que esta prática impõe, na medida em que os pais e responsáveis, no mais legítimo anseio de agradar à meninada, passam a ter uma relação com o esporte baseada, desde cedo, num altíssimo nível de competitividade. Prato cheio para os estereótipos infanto-juvenis.

É fundamental manter a distinção entre Iniciação desportiva e desporto de rendimento. Na Iniciação, não há seleção. Esta deve ser feita para aqueles que querem se federar, jogar oficialmente, mesmo na infância e adolescência, pelos clubes que se prestam a isso. Os pais devem compreender que os trabalhos são distintos, pois a criança precisa desta distinção. O profissional de escolas e escolinhas não deve se comportar como o profissional da federação. De tal maneira que é uma grande confusão essa ideia de selecionar quem pode participar de uma escolinha. 

Chegam até a mim, aliás, casos em que esta seleção é feita às escuras, com a simples negativa em receber este ou aquele aluno (notadamente o que não leva jeito, o que tem alguma peculiaridade ou dificuldade/restrição motora, etc). Sem qualquer justificativa. "Não é não" - e estamos conversados.

Fica a sugestão: nos espaços aonde esta seleção for executada, é favor retirar o nome de "escola". Uma escola recebe todo mundo.

Aquele abraço, saudações esportivas