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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Copa Futsal 2016: Resultados da 1a Rodada

Caros (as),

A 1a Rodada da Copa do Mundo de Futsal 2016 animou a torcida! Tivemos jogos equilibrados e emocionantes, com um bom desempenho geral neste início de competição. A avaliação dos professores é de que este ano a Copinha está muito parelha. Acompanhe abaixo os resultados e as fotos das seleções do Clube Militar / Chutebol, bem como os comentários acerca das atuações:

Portugal 0 x 0 Suécia (sub-10)


Nunca é fácil jogar numa estreia. Portugal enfrentou a Suécia, muito bem montada e que utilizava o goleiro para armar as jogadas - algo pouco comum nesta categoria. A marcação ficou dificultada, mas os jogadores não se intimidaram; se não obtiveram o domínio da partida, tampouco se entregaram. Resistiram às investidas do adversário e não abdicaram de contra-atacar. Mostrou-se um time valente! Quase conseguimos um gol no último lance do jogo. Bom início contra um adversário forte. 


Austrália 1x1 Rep. Tcheca (sub-14)


Em nossa avaliação a Austrália não fez uma boa partida. Teve bom começo, se valendo da velocidade (sua principal característica) para pressionar o adversário. Aos poucos, no entanto, foi perdendo o ímpeto e, no decorrer do jogo, se viu em perigo diversas vezes até levar o gol. Ficou sem jogadas na saída de bola. Será preciso encontrar uma proposta mais definida de jogo, e estas coisas são conversadas com os jogadores. No final, como se diz na gíria, 'achou' um gol que garantiu o empate. Mas podemos dizer que, apesar de tudo, a equipe não se entregou. Só que precisa evoluir muito para se classificar.


Gana 2x1 Coréia do Sul (sub-8)


Os jogos desta categoria matam a gente do coração. Pela instabilidade própria da faixa etária, costumam ser as partidas mais imprevisíveis. No entanto, a equipe de Gana mostrou boa organização e muita vontade de vencer! Pressionou e dominou o adversário durante toda a partida, fez um gol, contou com ótimas atuações individuais - e mesmo quando levou o empate não se abateu. Continuou buscando a vitória. Um empate àquela altura não fazia jus ao nosso volume de jogo, mas sabemos que a ideia de justiça no futebol é muito precária... Felizmente para nós, com todos os méritos, veio o gol salvador no final e podemos dizer que foi muito, muito merecida a vitória! A torcida enlouqueceu!


Bélgica 2x1 Grécia (sub-10)


A Bélgica foi outra de nossas equipes que se apresentou muito valente: iniciou a partida desligada, com alguns jogadores demorando a entrar no ritmo necessário neste tipo de competição. Levamos um gol e tememos pelo pior. Mas não foi isso o que aconteceu... O time conseguiu se reorganizar, foi ganhando confiança e consistência, criando oportunidades. Fez o gol de empate e, no último lance da partida, marcou novamente, explodindo o ginásio e garantindo três pontinhos preciosos!


Nigéria 0x3 Rússia (sub-14)


A Nigéria enfrentou duas dificuldades: a ótima equipe adversária e a própria indefinição acerca de sua proposta de jogo. É uma equipe que consideramos como tendo alguns jogadores habilidosos para ficar com a bola nos pés. No entanto, como sabíamos, a partida seria contra uma equipe tecnicamente superior. A ideia inicial, de marcação meia-quadra e velocidade nos contra-ataques vinha sendo executada de maneira razoável no primeiro tempo - até levarmos o gol. No intervalo conversamos sobre a possibilidade de avançar a marcação para tentar pressionar o adversário, quando levamos o segundo e o terceiro gols em falhas infantis. No final, a derrota por goleada serviu para aprender uma coisa: é preciso definir uma proposta de jogo e cumpri-la com rigorosa determinação em quadra. Seja uma proposta mais ofensiva ou mais defensiva. Este é o dever de casa da Nigéria para se recuperar na competição. Ainda dá! 



Camarões 2x1 Irlanda (sub-8)


Assim como nossa outra equipe na categoria, Camarões se impôs na partida. O adversário também teve bons momentos, mas nossas investidas ao ataque eram velozes e perigosas. Abrimos o marcador e não diminuímos a intensidade no jogo. A Irlanda também apresentava bom volume de jogo, mas de alguma maneira apresentávamos mais segurança e força ofensiva. Foi assim que chegamos ao segundo gol. Perto do final do jogo, no entanto, depois de um cochilo da defesa levamos um gol. Não chegamos a ficar em risco e o time venceu merecidamente - com ótimas atuações individuais e coletiva! Parabéns!


Peru 1x2 Argentina (sub-12)


O Peru pegou uma Argentina forte, inclusive fisicamente. No início pareciam assustados e levaram dois gols ainda nos primeiros minutos. Aos poucos, no entanto, puderam perceber que neste tipo de torneio é preciso se arriscar mais ao jogo: manter o corpo firme, ganhar divididas, sustentar um lugar de força, mesmo. Só assim as qualidades técnico-táticas podem aparecer e fazer a diferença. O Peru teve o mérito de se reorganizar e não desistir da partida (algo que trabalhamos muito com nossos alunos). Mesmo sendo dominado, conseguiu resistir e fez seu gol. A aprendizagem aqui parece ser a de conseguir sustentar um lugar de força competitiva mesmo, pois enxergamos potencial técnico-tático para melhores resultados. Vamos lá!


Uruguai 5x1 Equador (sub-12)


O Uruguai construiu nossa primeira goleada este ano! Com uma atuação segura, que foi crescendo durante a partida, a equipe abusou da velocidade e da precisão nos passes para envolver o adversário. Mesmo não sendo fisicamente forte para a categoria, não se intimidou e mostrou futsal de qualidade. Fez 3x0, levou um gol (que poderia reanimar o adversário), mas logo depois marcou mais dois e garantiu a vitória. Deve jogar contra um time bem forte na rodada seguinte. Valeu muito a vibração em quadra e a alegria pela bela vitória!


Inglaterra 3x2 Croácia (sub-10)


Arrisco dizer que a Inglaterra fez a partida mais emocionante desta primeira rodada. A equipe da Croácia emparelhou o jogo desde o início, mostrando-se veloz e com jogadores habilidosos. Seguiu-se um roteiro comum aos grandes jogos: a perseguição implacável. Fizemos 1x0, eles fizeram 1x1. As chances de gol se sucediam de lado a lado, a meu ver com uma leve supremacia de nossa equipe. Curiosamente, quando o adversário se apresentava melhor na partida, fizemos 2x1 em linda jogada. Pensávamos que iríamos respirar, mas houve pênalti para a Croácia: 2x2. E o coração aguentando... Até que, finalmente, numa jogada trabalhada de escanteio, conseguimos finalizar e dar números finais ao placar - não sem aquele friozinho na barriga até o final da partida... Ótimo jogo, grande apresentação!

***

[Adversário não é inimigo!]

Agradecemos às famílias pela torcida e pelo apoio aos jogadores. Costumamos lembrar a eles que, no fim das contas, é o amor ao esporte que faz com que todos estejamos ali, querendo vencer - porque adoramos futebol! Daí o sentido de toda esta mobilização, de familiares e profissionais do esporte, para que eles possam se arriscar ao jogo, aprender, suportar as falhas e celebrar os acertos. A campanha 'Adversário não é inimigo', que empunhamos a cada partida, surge desta elaboração, pois sem o oponente não há jogo!

Até a 2a rodada!

Aquele abraço, saudações esportivas

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

15 Primaveras

Caros (as),

23 de Setembro é a chegada da Primavera!
23 de Setembro é o aniversário do Chutebol : 15 anos!!



Agradecemos a todos pelo carinho com o projeto - e, como disse um grande pensador, na infância "o natural é o brincar"! 

Vivaaa!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

1a Rodada: Copa Futsal 2016

Prezados Torcedores Responsáveis,

Rufem os tambores! Vai começar a Copa do Mundo de Futsal 2016, em sua décima edição! Logo abaixo as partidas da primeira rodada - confira a equipe do seu craque!



Equipes do Clube Militar / Chutebol:


Categoria sub-8
Gana: [Antonio Ketter, Gabriel Junqueira, Victorino Chermont, Ravi Igreja, Pedro Burlamaqui, Henrique Miranda.]

Camarões: [Arthur Storino, Lucas Bond, Miguel Mexas, J. Pedro Pinho, Luca Marques, Henrique Bahiense.]


Categoria sub-10
Portugal: [Luís Fernando, Felipe Stopatto, Vicente Lisboa, Théo d'Ávila, Vicente Flaksman, Pedro Abba, J. Pedro Ávila.]

Bélgica: [Gustavo Marcolino, Lucca Borges, Ricardo Sertã, Gustavo Portela, Antonio Salomone, Felipe Cukier, Gabriel Martin.]

Inglaterra: [Rafael Austin, João Naliato, Felipe Mattos, Lourenço Teixeira, Frederico Martins, Joaquim Zucolotto, Gabriel Brakarz.]


Categoria sub-12
Uruguai: [Antonio Lacombe, Bernardo Pessoa, Rafael Martins, Lucas Polillo, Marcos Figueiredo, Rafael Alves, J. Victor Terra.]

Peru: [Pedro Levinson, Daniel Antabi, Hugo Ferreira, Vicente Ferran, Bernardo Pimentel, Enzo Andrade Orletti, Davi Mesquita.]


Categoria sub-14
Austrália: [Heitor Martinelli, Pedro Henrique, Rafael Bittencourt, J. Pedro Areas, Thomaz Miranda, Antonio Treistman, Breno Padilha.]

Nigéria: [Lucas Moreira, Pedro Saulles, Igor Dana, Gabriel Quintas, Paulo Zonenschein, Vinícius Velozo, J. Pedro Drummond.]



Jogos da 1a Rodada:

SÁBADO [24 de Setembro]:
14h = Portugal x Suéciaa (sub-10)
17h = Austrália x Rep. Tcheca (sub-14)
17h30 = Gana x Coréia do Sul (sub-8)


DOMINGO [25 de Setembro]:
10h = Bélgica x Grécia (sub-10)
11h = Nigéria x Rússia (sub-14)
11h30 = Camarões x Irlanda (sub-8)
12h30 = Peru x Argentina (sub-12)
13h = Uruguai x Equador (sub-12)
13h30h = Inglaterra x Croácia (sub-10)

*Todos os jogos no Clube Militar. 
**Comparecer com o uniforme da respectiva equipe/país, 15 minutos antes do horário previsto.


***
O momento da competição é muito importante na metodologia do Chutebol. É fundamental contar com o apoio das famílias! Neste momento, a fantasia toma conta e assumimos lugares distintos: o aluno vira jogador; o professor vira treinador; e os familiares e amigos viram... torcedores!!

Então leve sua alegria, seu espírito esportivo e venha torcer pelos nossos craques! Perdendo ou ganhando, é como eles dizem: "Tamo Junto!!"

Aquele abraço, saudações esportivas e até lá!

sábado, 10 de setembro de 2016

Por que as crianças brincam?

Prezados (as),

Ao longo do século XX muitos pesquisadores e estudiosos, notadamente dos campos da pedagogia e da psicologia, terminaram por consagrar a importância da brincadeira para o bom desenvolvimento da criança. Este discurso, felizmente, perdura até os dias atuais, muito embora hoje existam questões relativas ao tempo, ao espaço, ao mundo virtual e a outros aspectos que influenciam e/ou transformam o brincar infantil. 

Diante da quantidade de informações disponíveis hoje, os adultos sabem que brincar faz bem e podem enumerar muitas das benesses advindas desta atividade. Compreendemos o que se pode alcançar aí em termos de saúde física, psíquica e social. Mas essa é a linguagem dos adultos. As crianças não pensam em nada disso enquanto se divertem (se alguém for ficar pensando não se entrega à atividade). Como não adianta forçar ninguém a brincar, cabe então perguntar: afinal, o que as move? Por que as crianças brincam?

[Escapou...]

As crianças brincam porque brincar é uma necessidade. A partir do difícil processo de distanciamento parental e familiar que nos empurra a encarar a realidade mais ampla da vida, somos confrontados com medos muito profundos. O mundo em si pode ser percebido como um grande vazio sem a presença física das referências parentais (mãe, pai, cuidadores substitutos). Esta realidade mais ampla, como chamei, é vivida por cada um de uma maneira. Não existe uma realidade objetiva pura, mas uma realidade objetiva compartilhada e aceita como tal pela maioria das pessoas. Está estabelecido aí um paradoxo: compartilhamos um mundo real formado, paradoxalmente, por realidades subjetivas diferentes. Trocando em miúdos, cada um vê e vive o mundo à sua maneira, mesmo aceitando que uma cadeira é uma cadeira.

A brincadeira é uma necessidade tão profunda que é a partir dela que a criança consegue criar e manipular a realidade a seu favor, encenando angústias e afetos e obtendo, na fantasia, o controle do vasto mundo em que foi lançada - agora muitas vezes sem a presença dos pais. Toda criança tem questões e dúvidas muito pertinentes acerca da vida e do seu entorno, mesmo que à primeira vista não as verbalize. As clássicas encenações de brincar de comidinha, de luta, de monstro, do que quer que seja, fazem parte do repertório infantil na legítima tentativa de manter algum controle sobre a realidade, que já não é aquela (oh, dor!) de quando era o centro total das atenções familiares. Poder fazer de conta que está no papel da mamãe amada enquanto ela não se apresenta vira um bálsamo para tanta saudade.

As brincadeiras vão se tornando mais complexas com o passar do tempo e, se tudo correr razoavelmente bem, o sujeito vai curtindo mais esta ou aquela fantasia que é, por assim dizer, sua própria maneira de estar no mundo: super-herói, princesa, lutador, moleca, esportista, etc. Muitos se mostram tão apegados a algum personagem relacionado à brincadeira preferida que, efetivamente, passam a se mostrar e viver assim no cotidiano. O mais importante, no entanto, não é a efetivação deste ou daquele personagem, mas o anteparo que a brincadeira proporciona - já funcionando em seu mundo psíquico - frente às durezas da vida.

A possibilidade de criar seu próprio mundo entrelaçado à realidade comum é fonte de confiança, criatividade e dá sentido às dores do viver infantil. Importante perceber que, nessa criação pessoal, não se trata de um mundo desvinculado daquele vivido pelas outras pessoas (o que seria patológico se levado a um extremo); mas sim um entre, uma licença poética que não exclui subjetividade nem objetividade, mas as comunga. A brincadeira é um paradoxo necessário.

Na elaboração das questões e emoções que a vivência do lúdico provoca, também é encontrado prazer. Eis aí uma segunda resposta à pergunta inicial. Brincar é prazeroso - porque criar o é. Preenche uma vontade de potência que, não sendo mais a onipotência do bebê, já se articula de outro modo com a realidade. Se por vezes a brincadeira é interrompida, fica chata ou alguém se aborrece, apenas confirma o fato de que ela não se sustenta sem o apoio da realidade - as frustrações também ocorrem ali. Os jogos de enfrentamento (como o futebol, por exemplo), já são elaborações muito complexas e que supõem uma capacidade maior de arriscar-se ao sucesso ou fracasso. Criar uma jogada e fazer um gol proporcionam sensações indescritíveis; levar um drible desconcertante e falhar, também.

Nos dias atuais percebe-se uma preocupação dos adultos com as possibilidades diminutas das atividades lúdicas e dos jogos que envolvam os movimentos mais amplos (correr, pular, saltar, jogar). Por conta, como já foi dito, das agendas lotadas, dos espaços apertados da cidade grande, da avalanche virtual. Me parece uma preocupação legítima e eu a compartilho, dado que brincar está intimamente relacionado a fazer. Tudo isso influi na saúde psicomotora da pessoa, pois a confiança genuína em si passa também pelo domínio razoável dos movimentos fundamentais do próprio corpo e de uma relação prazerosa com ele.

Brincar não é pensar, embora não se deixe de pensar enquanto se está brincando. Quero dizer com isso que não se trata de uma atividade essencialmente intelectual. Muitas crianças aliás, com dificuldades de se apropriar da brincadeira pelo receio em serem espontâneas, se refugiam nas atividades intelectuais sendo até mesmo admiradas por isso, porém em detrimento de um enriquecimento emocional que certamente lhes fará falta em outros momentos da vida.

De qualquer maneira, as crianças sempre irão brincar. Como e em quais condições, cabe aos adultos ficarem atentos, dado o conhecimento já existente sobre esta atividade essencial. Até porque já fomos crianças e, se puxarmos o fio da meada, podemos encontrar relação entre nossas brincadeiras preferidas, nossa personalidade e mesmo atividade profissional em muitos casos.

Por fim preciso dizer que tudo isto que escrevi já é, digamos, de domínio público, estando presente nas obras colossais dos psicanalistas Sigmund Freud e Donald Winnicott, além dos psicomotricistas Andre Lapierre e Bernard Aucouturrier. Outros autores contemporâneos também têm ótimo material, mas os clássicos são referência. Minha intenção foi apenas tecer um comentário mais informal sobre o assunto, que encontra respaldo em minha própria experiência profissional.

Jogar futebol é antes de tudo, na infância, brincar. Espero ter escrito algo proveitoso.

Aquele abraço, saudações esportivas