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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Registro: Torneio Interno Junho/2017 (1)

Prezados Torcedores Responsáveis,

Seguem abaixo os resultados, fotos e comentários do nosso sensacional Torneio Interno de Junho/2017! As primeiras fotos estão em nosso álbum, no link abaixo (que ainda vai receber mais fotos!):


[Decisão por pênaltis: quem aguenta?!]


Categoria 08 a 10 anos (Capitães com*):

CampeãoTime dos Craques [Gabriel Brakarz*, Pietro, João Caminha, Rafael Garrido, J. Pedro Sloboda, Eduardo Cauduro].



Vice-CampeãoAnônimos [Luca Marques*, Nicole, Bento, Lucas Bond, Felipe Bastos, Caio Lacativa]




3o LugarPão com Aveia [Ravi*, Pedro Porto, Felipe Oioli, Felipe Gomes]




4o LugarTime Overwatch [Arthur Storino*, Miguel Mexas, Daniel Matta, Francesco, Bernardo Pessanha, Felipe Stopatto]



5o LugarSem Ideias FC [Danilo*, Caetano, Diogo, Pedro Abba, Henrique Bahiense.]




6o Lugar: Detonadores [Yuri*, Gabriel Junqueira, Pedro Futura, Pedro Burlamaqui, Martín, Felipe Lopes.]




*Premiação Especial (a cor corresponde à equipe):

Craque: Nicole
Artilheira: Nicole.

[Melhor goleiro: Pietro]

Melhor Goleiro: Pietro
Medalha Raça: Diogo Gavinho

[Nicole em ação: craque e artilheira!]

***
Gostaríamos de agradecer às famílias pela torcida, pelo apoio aos jogadores mirins e, sobretudo, pelo carinho com a molecada! Os esportes amadores no Brasil, em especial o futebol (e o futsal, seu primo pobre), vivem em muitos lugares uma cultura quase beligerante, violenta até - que pode fazer da competição um verdadeiro tormento ao invés de educar.

Nas arquibancadas do Chutebol, ao contrário, o que temos visto, além de muita torcida, é um entendimento de que, afinal, algo mais está em jogo além de vitórias e derrotas. As experiências que temos vivido, junto aos alunos, têm tido o suporte das famílias, pano de fundo essencial para as aprendizagens e os momentos mais duros de uma competição. 

Como é viver (e perder) uma final por pênaltis? Como é ficar com medo de entrar em quadra, atravessar esse medo e conseguir jogar? Como é arriscar tudo para vencer? Estas questões, e tantas outras, só são verdadeiramente aproveitadas quando a criança percebe que o seu entorno a apoia, para o que der e vier. São momentos que, efetivamente, podem marcar nossas vidas. Que seja para o melhor!

Preciso dizer, ainda, que ficamos particularmente felizes em entregar, pela primeira vez em dezesseis anos de projeto, uma medalha de craque e de artilheira para uma menina - e quem foi lá, viu: a Nicole arrebentou! Mais do que participar, seu time precisou dela. Mais do que o futebol, o mundo precisa precisar das meninas. 
O Chutebol agradece.

Aquele abraço, saudações esportivas

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Inclusão?

O esporte é comumente associado à ideia de inclusão, ou seja, diz da possibilidade de participação das pessoas nos grupos esportivos, em especial crianças e jovens. Essa ideia geral é correta e deve ser incentivada, na medida em que a socialização é um componente fundamental na formação e no cotidiano de cada um.


No entanto, nas práticas infanto-juvenis existe, a meu ver, uma ideia de inclusão pela competição que pode ser melhor elaborada pelos professores e familiares, e digo isto a partir da experiência profissional que tenho vivido. Enxergo um uso distorcido desta ideia em muitas situações, e creio que vale abrir um pequeno debate.

Há uma premissa no meio da educação física (nas escolas, escolinhas e clubes) de que incluir significa, necessariamente, 'botar pra jogar', na gíria dos boleiros, por exemplo. Segundo tal premissa, empurrar compulsoriamente o aluno à competição significa necessariamente realizar a tal inclusão, tão almejada por pais e professores como sinal de socialização. Mas isto não é necessariamente verdadeiro.

Muitas crianças apresentam receio em competir. Algumas produzem febre, diarreia ou falta de ar nos períodos próximos às competições, tentando mostrar inconscientemente seu desconforto acima da média. Outras inventam uma desculpa qualquer e não comparecem no evento marcado, até com conivência da família. Há aquelas que se mostram absolutamente desesperadas diante de resultados adversos, o que é diferente do choro comum pela tristeza da derrota. Acredito que nós, adultos, podemos lembrar destas reações infantis em nossas próprias memórias. 

Competir é confrontar-se, consigo mesmo e com os outros. Este embate, que produz tanto aprendizado, só será vivido como uma experiência positiva e realmente pedagógica se a criança se perceber em condições mínimas de segurança (confiar em si mesma) e aprendizagem (ter as mínimas habilidades para o confronto). Se estas duas ancoragens não estiverem em níveis mínimos, a inclusão não acontece, mas seu contrário: a pessoa se vê perdida em meio ao fogo cruzado.

Ocorre que, por se sentirem tendo que atender à premissa principal (incluir = competir), pais e professores ficam, muitas vezes, impedidos de escutar/observar a real situação individual de cada aluno. Para os pais, ver seu filho de fora de uma competição pode significar que ele foi excluído do grupo; os professores, obedecendo a esta lógica, ficam com receio de sustentar frente aos pais suas observações mais sinceras e, para não serem acusados como agentes da exclusão, não se posicionam - adotam a posição mais confortável e que não exige debate, o 'botar pra jogar'. As direções das escolas também ficam com medo de dizer essas coisas aos pais e serem mal interpretadas.

É interessante perceber como, em muitos casos, o jogador mirim, em não conseguindo verbalizar seu mal-estar, assume (sem perceber) o que ele acredita que os adultos esperam dele: jogar. Não sendo algo verdadeiro, mas uma atitude no sentido de não decepcionar os adultos (e sim agradá-los), a criança insiste em participar, mas suas atitudes no cotidiano a contradizem, denunciando aquele mal-estar sobre o qual não consegue falar. 

Nestes casos, que são os mais complicados, acredito que cabe ao professor abrir o espaço ao diálogo, acolhendo a demanda não verbalizada da criança, e incluindo a família no processo. Na imensa maioria das vezes, em minha experiência, finalmente ela pode dizer como se sente e, aí sim, é possível tomar uma decisão mais honesta sobre participar ou não de uma competição naquele momento. (É evidente que estes casos são diferentes dos alunos que já demonstram capacidade para competir numa boa, e estão um pouco receosos, necessitando apenas de um empurrãozinho).

Este é o ponto que pretendo fazer : muitas vezes barrar, no sentido de limitar a participação da criança, é acolhê-la em suas demandas reais, proporcionando tempo para que amadureça. Prefiro o termo 'acolher' ao termo 'incluir', pois no primeiro cabe a dúvida e a reflexão sobre uma situação real, enquanto o segundo é uma premissa sem brecha para elaboração.

Pode ser sugerido que, ao admitir dificuldades muito grandes do aluno, ele possa combinar de se preparar melhor (nas aulas/treinos) para os próximos jogos; pode ficar num primeiro momento como torcedor (indo observar os amigos e se familiarizar); pode ficar como ajudante dos professores, ou alguma outra ideia. A criança geralmente se sente cuidada quando pode admitir suas fragilidades momentâneas, se tranquiliza quanto ao seu desempenho e costuma usufruir muito melhor na oportunidade seguinte. O fundamental é não deixá-la sem perspectiva, mas apontar um caminho e um cuidado, com diálogo franco e aberto, inclusive com a turma.

Existe uma quantidade incontável de pessoas que viveram e vivem as competições desportivas obtendo muito menos do que elas podem oferecer. Muitos inclusive que, por terem tido seu tempo pessoal atropelado, passam anos sem fazer esportes, redescobrindo somente na idade adulta o prazer de voltar a fazê-los (nos melhores casos). Muitas vezes os próprios professores, na melhor das intenções em 'incluir', acabam por respaldar este tipo de situação sem perceber, com chavões do tipo "todo mundo se diverte", "tá todo mundo aí brincando e aprendendo", etc, sem lembrar que os resultados ruins podem aparecer mais tarde. Isto diz respeito à própria formação dos professores, que tem muito a evoluir no Brasil.

Um 'não', em alguns casos, pode ser muito mais acolhedor do que um 'sim', na medida em que o adulto consegue assumir a responsabilidade pelo cuidado infanto-juvenil.

Aquele abraço, saudações esportivas

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Registro: Torneio à Vera 2017

Caros (as),

Neste último mês de Maio, os alunos a partir de 08 anos disputaram o tradicional Torneio à Vera. É uma competição jogada dentro da própria turma, nos dias comuns de aula.

Cada turma se divide em duas equipes. Esta divisão é feita pelos professores, e obedece a critérios como idade, habilidade, força física e experiência de competição. Aí então cada equipe elege um capitão (um líder reconhecido por cada grupo); e cria um nome para o time (tem cada um...). Junto a isso, um tabelão com a pontuação, que eles sempre vão conferir!

A ideia é começar a experimentar a competição no ano, a partir de uma progressão. Pois se trata de jogar sempre com os colegas de turma que já se conhece, de ser num dia comum de aula, e de ser uma competição com muitos jogos, dando um bom tempo para assimilar erros e derrotas. Mas quando a bola rola, o frio na barriga comparece, a vontade de ganhar se impõe, surgem os conflitos e as demandas que vamos podendo trabalhar, individual e coletivamente. Em nossa metodologia, o Torneio à Vera funciona como uma espécie de laboratório para os próprios alunos aprenderem a lidar com as competições, podendo após este passo partir para torneios mais duros.

Ah, a premiação? Chocolates!!
Abaixo, as fotos de cada turma com suas equipes!

Temos também um álbum em nossa página no facebook:
Turmas 2017 + Torneio à Vera

[Sarrada Mix x Os Nuttelinhas]

[Vice FC x Gum e os Outros FA]

[Glendon FC x Manchester Chutebol]

[O Tabelão]

[Osmelsons Gol x Falcões Dourados FC]

[Bichão FC x A Gangue da Bola]

[Falcões x Futebol Clube Militar]


Aquele abraço, saudações esportivas

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Muito difíceis

O trabalho de educar crianças não é nada fácil. Embora exista a possibilidade de encontros prazerosos, vínculos marcantes, atividades enriquecedoras e um imaginário bastante idealizado sobre o que seja este tipo de atividade, há também um lado árduo como em todas as profissões.


Qualquer que seja o cargo que ocupem, os profissionais lidam com todo tipo de pequenos indivíduos sob seus cuidados. Assim, em condições minimamente razoáveis, costumam encontrar uma maioria de crianças saudáveis, que demonstram receber boas condições gerais familiares e sociais. Quando utilizo o termo 'saudáveis', me refiro às crianças que têm dificuldades e/ou sintomas infantis comuns, tais como: notas baixas aqui e ali, ansiedade ou apatia dentro de alguns limites, agressividade mais ou menos alta sem comprometer o grupo social, dificuldades cognitivas contornáveis, sintomas corporais idem. As subjetividades são distintas e cada um vai procurando um jeito de se enlaçar ao grupo.

Nas realidades aonde as condições de vida da população são muito precárias, costuma haver um número grande de pessoas pouco ou nada saudáveis (do ponto de vista psicossocial), o que acaba por revelar também a condição das famílias. Os lugares muito violentos e degradados expõem as pessoas, adultos e crianças, a um ambiente terrível para exercer o fazer pedagógico. O fracasso escolar/pedagógico tende a ser a norma nestes ambientes, pois as dificuldades e sintomas infantis transbordam em suas necessidades de cuidados.

Pretendo me deter, no entanto, nas condições de vida suficientemente boas, para falar dos casos em que alguém desafina o coro dos contentes: as crianças muito difíceis, que se apresentam assim, mesmo inseridas numa realidade comumente saudável.

A criança muito difícil demanda atenção praticamente o tempo todo. O estilo pode variar, digo, a maneira de fazer com que o adulto se volte para ela. Seja por fazer bagunça demais, brigar, atrapalhar os colegas, estar sempre - sempre - atrasada nas lições, tudo isso em níveis notadamente alarmantes, ela não apenas demanda, mas exige (mesmo que não seja com palavras) o olhar, os limites e a palavra do adulto. Que não pode desistir dela. Este é o meu ponto.

Se os profissionais da educação desejarem realmente ajudar uma pessoa nestas condições, é preciso, como assinalou o psicanalista Sándor Ferenczi um século atrás, uma 'paciência quase infinita'. São casos extremos, que pedem uma disponibilidade extrema do adulto. Esta paciência quase infinita não significa, em absoluto, fazer as vontades destes meninos e meninas aonde e como eles desejarem; mas, ao contrário, estar presente afetivamente para dar contorno às situações que ele ou ela demandarem. 

Quem pede limite exaustivamente precisa ser atendido exaustivamente. Elas não fazem isto porque querem, mas porque ainda, infantilmente, precisam, mesmo que não saibam muito bem por quê. E isto, por mais que possa não parecer, é garantia de um sofrimento interno muito grande. Um adulto infantilizado não enxerga isso, e supõe que a criança nestas condições é má.

O contorno pode ser dado com a voz, o olhar, o gestos e, principalmente, com a construção e a sustentação da relação afetiva com aquele que está em tremenda dificuldade. Para isso, o profissional que está envolvido com este tipo de aluno precisa do respaldo da instituição e de seus superiores, que não podem cobrar resultados/evolução neste tipo de caso se não acreditarem realmente em dar suporte ao profissional, compreendendo as manobras muitas vezes elásticas que precisam ser realizadas.

Os adultos também sentem raiva das crianças, pois são humanos, e esta raiva precisa ter um espaço pra ser elaborada e recebida (os superiores, as coordenações e direções), sob pena de se voltar contra a criança como revide. Sentir raiva faz parte, o revide não deveria fazer.

Resolvi tocar no assunto porque tenho percebido professores em dúvida, no seguinte sentido: se o fulaninho está insuportavel e já que ele só quer chamar a atenção, não seria melhor parar de dar bola para ele - e ver se isso não muda sua atitude? Minha intenção é encorajar os professores (e as famílias) a não fazerem isso, pois significaria desistirem destes casos. Seria lançar ao abandono e à perda da esperança este tipo de criança que tanto pede ajuda. 

'Suportar'. Este é o termo que gostaria de ressaltar. Quando, afinal, as crianças muito difíceis encontram alguma garantia externa de que serão vistas, reconhecidas, recebidas, vão aos poucos abandonando as atitudes inconvenientes e perturbadoras (para si e para os outros). Isto leva tempo e demanda o suporte que mencionei, em dois sentidos: o de aguentá-las, e o de 'dar suporte a'. Ambos os sentidos se confundem.

Quanto mais os adultos e as instituições conseguirem suportar estas dificuldades extremas, maior será a possibilidade de alunos e alunas nestas condições avançarem.  Em avançando, o retorno para elas próprias e para a sociedade será tanto melhor, bem como sua capacidade de reproduzir, no meio social, o afeto recebido.

Uma criança em dificuldades muito grandes não precisa de revide ou abandono. Precisa de limites claros e firmes, além de outras qualidades afetivas, tantas vezes quanto forem necessários

E só poderão ajudá-las aqueles que, em algum momento de suas vidas, sentiram que já foram ajudados.

Aquele abraço, saudações esportivas