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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Covil de pilantras

Chutebol apóia Romário: Gilmar Rinaldi é piada de mau gosto.

Foto: Galera, 

só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha. 

É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade. Posso afirmar que vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses. Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele ainda é agente FIFA.

"Galera,

Só pode ser uma dessas duas coisas: sacanagem ou pegadinha.

É inadmissível Gilmar Rinaldi ser escolhido para assumir o cargo de diretor/coordenador de Seleções da CBF. O cara é empresário de vários jogadores. Tive o desprazer de trabalhar com ele no Flamengo, é incompetente e sem personalidade. Posso afirmar que vai fazer da CBF um banco de negócios para defender os seus interesses. Só os ratos do Marin e Del Nero para escolherem uma pessoa como essa. Para piorar, ele ainda é agente FIFA."
 
(Romário de Souza Faria)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Volta às aulas

Olá!
Lembramos a todos que as aulas voltam ao horário normal a partir de hoje! Retornamos do recesso, depois dessa baita Copa do Mundo - com uma tremenda vontade de brincar de bola e se divertir!

Foto: Olá!
Lembramos a todos que as aulas voltam ao horário normal a partir de hoje! Retornamos do recesso, depois dessa baita Copa do Mundo - com uma tremenda vontade de brincar de bola e se divertir!

Esperamos vocês lá!
Aquele abraço, saudações esportivas

Esperamos vocês lá!
Aquele abraço, saudações esportivas

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Buscando algum sentido

Torcedores (as),

Fui ao Mineirão e presenciei a humilhante derrota da Seleção. De alguma maneira ali, no olho do furacão, quando levamos o terceiro, olhei para o amigo de infância que estava comigo e falei: "Tenho medo é do vexame". Ele concordou e, gol após gol daquela impiedosa máquina alemã não tínhamos mais dúvidas: estávamos presenciando a História. Os 7 a 1 doeram no peito do menino peladeiro que mora aqui dentro.

[O desespero brasileiro]
Daí que, após escutar, ler e assistir a enxurrada de comentários com que nos assola este insano século XXI, pude perceber como o palavrório geral tenta, mas não consegue, dar conta do que aconteceu. A busca de algum sentido para explicar o que se passou na hecatombe futebolística de ontem é proporcional à falação desenfreada e à necessidade da maioria em cravar opiniões e condenar culpados. Não que não existam responsabilidades (e muitas!), mas momentos assim viram um prato cheio para os profetas do acontecido, os oportunistas de plantão e, claro, para os que não assumem seus erros. Falar de outrem para não falar de si é maneira antiga de se eximir. 

Seguindo esse caminho, o texto mais lúcido que encontrei vem de jornalista antigo que respeito, o veterano João Máximo, que reproduzo a seguir para me ajudar a encontrar palavras, não razões definitivas. Pensar dá muito mais trabalho do que simplesmente escolher um lado 'bom' e outro 'mau':

"Depois do quarto gol, a imagem do menino chorando me fez pensar no que eu lhe diria se fosse seu pai. Até agora, não sei. A ausência de Neymar? Não justifica. A defesa sentiu falta de Thiago Silva? Não explica. Não temos meio-campo? Conversa de prancheteiro. Fomos vencidos pelo emocional? Bobagem. Dizer que o futebol brasileiro há tempos perdeu aquela aura que o fazia diferente e melhor que os outros seria roubar do menino a esperança de que ainda poderemos ser campeões do mundo. (...) Também não lhe apontaria culpados, o técnico, os jogadores, nós mesmos, que vimos a Seleção jogar mediocremente nas oitavas e nas quartas e ainda acreditamos que pudesse descobrir-se diante da demolidora equipe alemã. Não vi mais o menino após a goleada ganhar proporções assustadoras. Mas seu choro foi o choro de um Brasil que, como o 7 a 1, não se explica."

E por que tal declaração foi a única que de verdade me ajudou a elaborar a dor da derrota? Porque ela deixa espaço para o sem sentido. É próprio do momento traumático (como foi ontem, esportivamente falando) aquilo que é imprevisível: destrói as barreiras do imaginário, do esperado, da dor contornável. Ficar tentando tapar isso com lógicas prontas de causa e efeito (e como o futebol é alheio a isso!) me parece infantil. Ao contrário, ao assumirmos a presença do imponderável, daquilo que nos faz ficar sem palavras, talvez faça com que tenhamos mais recursos para juntar os cacos. Nos deixa as veias abertas para correr sangue novo. Dizer que previu uma goleada deste porte é no mínimo desonestidade intelectual. O 'Eu falei, eu falei!' é realmente uma coisa irritante.

O que não impede que tenhamos traços do acontecido. Deixo aqui claro meu ponto: o que aconteceu me parece uma mistura de um castigo a um futebol limitado, somado a um dia atípico não raro no futebol. Esta Alemanha é um timaço, mas empatou com Gana e Argélia, por exemplo. Esse Brasil é de longe um dos times mais fracos que já vi em copas - o que também não invalidava nossas esperanças de que a sorte sorrisse pra nós. Lembro que ficamos órfãos de uma geração: Adriano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho poderiam perfeitamente estar em campo ainda - mas se perderam pelo caminho. Nosso time é fraco, muito novo, irregular.

 Se não me engano foi Neném Prancha quem disse: "Futebol é simples: quem tem a bola, ataca. Quem não tem, defende." Daí que, desde 1994 temos montado equipes competitivas. Aprendemos sobre a importância de uma solidez defensiva que nos faltava constantemente em competições de alto nível. Em 20 anos, chegamos a três finais de Copa do Mundo - e vencemos duas. Não creio que isso possa ser condenável. Não posso condenar Parreira e Felipão. Posso criticá-los, não crucificá-los.

O que deve ser repensado é, na verdade, a nossa falta de talentos, de meio-campistas e atacantes que, dizia-se, dava em árvores por estas terras. Deve ser criticado e repensado o limite do pragmatismo, do futebol de resultados. Deve-se refletir, por que, afinal, nossas categorias de base estão repletas de treinadores que trabalham de olho no resultado, ao invés de se preocupar em formar jogadores de qualidade? Os dirigentes não respondem por isso? 

E, last but not least: quem pensa o futebol no Brasil? O que faz a CBF, além de ficar cada vez mais rica? O futebol, como símbolo de potência nacional, não merecia algo como uma política pública? Isso não começaria nas escolas, com Educação Física decente - além, é óbvio, de espaços públicos para os campinhos e quadras de pelada que simplesmente desapareceram das cidades? 

Afinal, o que se espera de um jogador de futebol no Brasil? Talvez esta seja uma pergunta que, ao construir a resposta aos poucos, nos dê um sentido maior para elaborar o nocaute de ontem.

Um abraço doído, saudações esportivas

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Cornetando mais uma

Caros,

A Copa do Mundo segue seu rumo e, pra não dizer que não falamos das flores, segue mais uma cornetadinha. Ah, aliás e a propósito 'cornetar', pra quem não sabe, é como os boleiros se referem a  quem fica dando palpite... Donde conclui-se que praticamente todo brasileiro é um corneteiro. Tentaremos ao menos afinar a nossa corneta com elegância.

[Neymar: a dor do craque como narrativa heróica]

A Seleção enfrenta a Alemanha amanhã e, como se sabe, o time alemão é fortíssimo - desde antes da competição candidato ao título. Só que tem uma coisa: o favoritismo, num jogo entre equipes desta grandeza, só vale até a bola rolar. A partir daí (e a história do futebol é farta em comprovações) há espaço para acontecer simplesmente qualquer coisa. Jargões do tipo 'o jogo só acaba quando termina', 'futebol é onze contra onze', etcetc ganham um peso mítico nestes momentos. Então tem jogo pra nós, sim!

O escrete canarinho vai se valer, evidentemente, da mudança de postura apresentada na última partida; da coragem pedida por muitos e por nós, aqui neste modesto espaço; da vibração da torcida, de uma certa narrativa heróica para representar à altura a dor de perder o craque Neymar. Tudo isso é combustível, não duvidem. Quem já viu um pouquinho de futebol pode respaldar.

Esta realmente não é a Seleção dos sonhos do torcedor brasileiro. Mas algo que tenho aprendido ao longo dos anos é o seguinte: futebol se ganha de várias maneiras. Felipão tem um determinado estilo, tem mesmo uma concepção de futebol que não agrada a muitos. Mas pegou uma equipe com muito pouco tempo para montar e tem seus méritos. Creio que o Brasil está na média desta Copa e, como uma vez disse até o Zico, quando não dá pra ser na bola pode ser de canela, mesmo. Isso é do futebol.

Outra discussão é o porque de não termos mais uma legião de craques disponíveis, um futebol ofensivo e vistoso. Isso é algo muito mais profundo e é obrigatório pensarmos sobre o que queremos do nosso futebol, algo tão importante pra nós. Os profissionais envolvidos têm realmente muitas questões a responder. Mas agora não é hora disso: agora é hora de ripa na chulipa e pimba na gorduchinha, correr atrás da bola como dum prato de comida - bola pro mato que o jogo é de campeonato e vamos lá!!

***
E a Argentina, hein? Conversando com alguns portenhos e andando com os ouvidos abertos por aí, percebo a dimensão do que esta Copa significa para eles. Estão, mais do que nunca, desgovernadamente apaixonados. Falam da grandeza de enfrentar o Brasil numa final. Engraçado, creio de verdade que a rivalidade deles contra nós é muito maior do que daqui pra lá. Uma prova disso é a quantidade de músicas da torcida que falam do Brasil, de Pelé, de Maradona... Como que reconhecendo a grandeza brasileira (não que nosso futebol, o jeito que jogamos seja superior ao deles; mas temos cinco Copas do Mundo, isso é a História que diz), precisam todo o tempo se afirmar e provocar, como que pedindo a chance de provar que também são bons. Claro que são, sempre foram.

[Paixão em Brasília: do lado de fora do estádio, segue o baile!]
Estive em Brasília para assisti-los derrotar a Bélgica nas Quartas-de-Final e achei isso meio infantilóide, digo, o excesso. Eles simplesmente não param de falar e gritar sobre isso. Como se a Copa não valesse por si, mas fosse na verdade uma medição de forças quase que exclusivamente contra o Brasil. Não vejo a torcida brasieira assim. Nunca tive isso, nem meus amigos de estádio. Mas enfim, também é do futebol e foi um espetáculo infernal ver e ouvir sua apaixonada torcida cantando e vibrando... Daí que, quando alguns amigos brazucas me diziam ter um medinho de pegá-los na final (e perder), pensei o contrário: que nada, podem vir quentes que estamos fervendo!!

Aquele abraço, saudações esportivas

terça-feira, 1 de julho de 2014

As águas vão rolar

Caríssimos,

A Copa do Mundo vai chegando aos finalmentes e, a partir das oitavas-de-final, é vencer ou vencer. Quem ganha segue na parada; quem perde, dá adeus à competição mais importante do planeta. Desde a última partida do escrete canarinho, no entanto, algo além da vitória e da derrota ficou no ar - e resolvemos meter o bedelho também! Com uma pitada de psicanálise, tentamos pensar: afinal, qualé a do choro da Seleção?

[David e Júlio: expressões distintas de uma mesma lógica]

A imagem escolhida para ilustrar o tema não é ao acaso: David Luiz, nosso imponente zagueiro, enche o peito e se inflama para cantar o Hino Nacional. Júlio Cesar, o goleiro outrora condenado, parece tentar represar tanta mágoa engolida - que fatalmente irá explodir, na alegria ou na tristeza. Duas maneiras diferentes de encarar o mesmo drama que se criou. O Brasil, simplesmente, não pode perder.

Gosto de lembrar que o choro é livre. Chora quem quer, ou quem pode. Choro de verdade é descarrego, é afeto que transborda, emoção incontida, redenção. O sujeito se desarma, se deixa afetar. Sem choro não há retorno, volta por cima, elaboração dos afetos pelos mecanismos psíquicos. Fora as lágrimas de crocodilo (ou o chororô), nada mais é do que emoção legítima. Ponto.

Felipão e sua equipe pegaram uma Seleção irregular, trataram de definir um time e foram campeões em 2013. Com méritos. Acertaram ao assumir as responsabilidades que uma Seleção Brasileira carrega jogando em casa. Mas, visivelmente, passaram do ponto. A carga de dramaticidade incutida na ideia de patriotismo é uma linha tênue entre se colocar como protagonista ou carregar o mundo nas costas. E são duas coisas diferentes.


Para ganhar uma partida, avançar na competição e triunfar (ou não) é preciso se aventurar ao risco. E o risco inclui a possibilidade de perder. Daí que o melhor estímulo que conheço para lidar com a competição, por este viés, é o da coragem. Mas uma coragem adulta, não um imaginário inflado no qual temos de ser sempre os melhores e não podemos perder. Endeusar as equipes européias ou desqualificá-las, por exemplo, dá no mesmo. Não se está falando de um adversário real, mas imaginário. Ninguém é tão forte ou tão fraco assim, ainda mais numa Copa do Mundo.

Logo, é muito sintomático que, no primeiro Mundial que jogamos em casa após tantas décadas ganhando títulos por outras terras, aflore de maneira tão deliberada algo que parece ter se enraizado na cultura brasileira (e não só futebolística): só o campeão tem valor. Como lidar então com a fatal incerteza, inerente ao jogo? "Se eu não ganhar, ainda assim eu sirvo?". Daí para a incontinência lacrimal é um pulo. Identificados com um ideal (o da pátria campeã), identificam-se uns com os outros, freudianamente, como se fossem um só no momento do sangue quente. Um chora pelo outro, o outro chora pelo um. Como se diferenciar nisso aí?

Existem outros caminhos para as águas que ainda vão rolar. Nossa autoestima pode ser melhor trabalhada na confiança e na coragem. A última pressupõe enfrentar a incerteza, e ambas sustentam melhor as angústias da dúvida sobre um resultado. Certeza, não há. Quem ganha sorri, quem perde, chora. Futebol sempre foi assim. Mas acho que a Seleção precisa, como dizem os boleiros, tirar a geladeira das costas. Até o futebol vai melhorar porque, quando a gente tem muito medo de errar, aí é que erra mesmo!


Aquele abraço, saudações esportivas