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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Torneio Interno Dezembro/14: Registro

Galerinha,

O Torneio Interno do último sábado foi demais! Nossos pequenos craques desfilaram  talento, gols e suor, sempre muito suor - porque só não sua quem fica jogando videogame! Em breve postaremos todas as fotos e enviaremos o link para o álbum, ok? Acompanhe abaixo as equipes, os resultados das partidas e as premiações especiais:

['Os Destruidores: Campeões com a torcida!]

Categoria até 09 anos (Capitães com*):

Campeão: Os Destruidores [Vicente Lisboa*, Luiz Fernando, Diogo Gavinho, Joca Zucolotto e Gabriel Brakarz].

Vice-Campeão: Os Artilheiros [Danilo*, Ricardo Sertã, Arthur Storino, Cecília, Felipe Stopatto, Rodrigo Tostes].

3o Lugar: Real Madri 2 [Lucas Monte Alto*, Felipe Jourdan, João Aloy, Luiz Fernando, Rafael Garcia].

4o Lugar: Ginásio [Gabriel Araújo*, Pietro, Antonio Salomone, Felipe de Souza, Arthur de Souza, Henrique Miranda].

5o Lugar: Real Madri 1 [João Naliato*, Matheus Bermudes, Bernardo Pessanha, Vinícius Dobbin, Humberto, Davi].

6o Lugar: Atlético Branco [Tom*, Gabriel Sampaio, Tomas Girardi, Antonio Mazini, Henrique Veiga].


Premiação Especial (a cor corresponde à equipe):

Craque: Vicente Lisboa
Artilheiro: Vicente Lisboa
Melhor Goleiro: Luiz Fernando
Medalha Raça: Felipe Jourdan

['Doli': Campeão nos momentos finais da partida!]


Categoria até 12 anos (Capitães com*):

Campeão: Doli [Rafael Bittencourt*, Gabriel Sierra, Josué, João Palhares, João Pedro Aquino, Artur Sérgio].

Vice-Campeão: Militares [Gabriel Quintas*, Pipo, Felipe Miranda, Breno Padilha, Paulo Sergio, Rodrigo Sampaio].

3o Lugar: Cavacas FC [Felipe Dalcomuni*, João Belfort, Rafael Toledano, Theo Cohen, Miguel Amorim, Davi Mesquita].

4o Lugar: Kriptonita [Marcelo Castellani*, Vinícius Velozo, Pedro Ribeiro, João Victor Terra, Pedro Pereira].

5o Lugar: Remes [Pedro Henrique Cardoso*, Pedro Bermudes, João Pedro Areas, Victor Granado, Yan Martorelli, Bernardo Mascarenhas].

6o Lugar: AzulCrinados [Antonio Balesdent*, Vicente Barone, Diogo Mattos, João Pedro Drummond, Gabriel Vaz, Pedro Bahia].


Premiação Especial (a cor corresponde à equipe):

Craque: Gabriel Quintas
Artilheiro: Felipe Dalcomuni
Melhor Goleiro: João Pedro Drummond
Medalha Raça: Diogo Mattos

[É Goooool!!!]
 ***
Gostaríamos de agradecer mais uma vez pelo apoio das famílias ao projeto. A competição pode ser vivenciada de várias maneiras. O que propomos é um acolhimento (que faz parte do que tenho chamado aqui de 'estofo emocional') para que a disputa não transborde a capacidade infanto-juvenil de suportá-la - perdendo assim sua razão de ser. Se realmente desejamos educar pelo esporte, talvez seja necessário lembrar por que jogamos: porque gostamos. E, para tanto, necessitamos (é um imperativo lógico) do adversário. Daí a estupidez irracional de tratá-lo como inimigo, com as consequências desatrosas que temos visto por aí.

Ao contrário, quando a prática educativa parte das possibilidades afetivas e da espontaneidade (e não basta o falatório do 'o importante é competir'; isso só pode ser construído no cotidiano), a disputa em si ganha um novo sentido. O sentido que cada um vai dar, talvez, mas dentro de um espírito mais amigável. É claro que a chapa esquenta muitas vezes, isso faz parte, dá uma graça mesmo. Mas dentro de certos limites, ainda mais quando se trata daquilo que insistimos em chamar de infância.

Bem, é isso aí. Ano que vem, tem mais!

Aquele abraço, saudações esportivas


sábado, 13 de dezembro de 2014

É Hoje!

É hoje o nosso Torneio Interno! A galera do Chutebol se junta e disputa um caneco entre os nossos! Premiação especial de artilheiro, craque, raça e goleiro! #adversárionãoéinimigo

 Foto: É hoje o nosso Torneio Interno! A galera do Chutebol se junta e disputa um caneco entre os nossos! Premiação especial de artilheiro, craque, raça e goleiro! #adversárionãoéinimigo

14h - alunos até 09 anos
17h - alunos até 12 anos
(Chegar 15 min. antes do horário previsto)

14h - alunos até 09 anos
17h - alunos até 12 anos
(Chegar 15 min. antes do horário previsto)

Vamos lá!

Aquele abraço, saudações esportivas

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Finais da Copa Futsal 2014: Tricampeão!

Prezados Torcedores Responsáveis,

Nas finais da Copa do Mundo de Futsal 2014 os grandes vencedores foram as crianças e adolescentes, que puderam desfrutar de um ambiente mais apropriado para jogar, para competir - e retribuíram com partidas de altíssima qualidade. Quem foi pode confirmar! O Chutebol levou para a Copinha a campanha 'Adversário não é inimigo!', que deu o tom das partidas decisivas. A arquibancada entendeu o recado e aplaudiu a união dos craques antes de cada jogo: basta de estupidez no esporte! E foi assim que vivemos um dia emocionante! Logo abaixo os resultados e os comentários das decisões:

[Chutebol e Hípica unidos antes da partida]
Categoria Sub-10:
Suíça 0x4 Portugal [semifinal 1]
Itália 2x1 Bósnia [semifinal 2]
Itália 2x2 Portugal [Final - Portugal 3x2 nos pênaltis]
Itália Vice-Campeã!

Categoria Sub-12:
Austrália 1x0 EUA [semifinal]
Austrália 2x1 Argentina [Final]  
Austrália Campeã!

Categoria Sub-14:
Japão 0x1 Irã [semifinal]

*Comentários:

O dia começou com a Austrália passando pela equipe dos EUA. Apesar do placar apertado, a equipe comandada pelo treinador Tiago Rigaud controlou bem a partida, oferecendo poucas chances ao adversário. Na final foi enfrentar a ótima Argentina, do craque Felipe Menezes (que havia aplicado mais uma sonora goleada na também ótima equipe do México, comandada por Renato Paiva - Clube Paissandu). Muito aplicada taticamente e com marcação cerrada sobre o craque, a Austrália equilibrou a partida e o jogo ficou 1 a 1. Até que o goleirão João Belfort pegou uma bola espirrada para seu campo e corajosamente, do meio da rua, arriscou o chute: saiu um foguete que estufou as redes da Argentina! Gol de goleiro e do título, já que a Austrália conseguiu segurar a pressão adversária até o final! Festa do Chutebol, que abocanhou um caneco pelo terceiro ano consecutivo na competição!

[Austrália: Campeã inquestionável!]
Logo em seguida a equipe do Japão foi disputar a semifinal da categoria sub-14. Fez uma partida que começou equilibrada e levou um gol bobo. A partir daí começou uma pressão tremenda pra cima do Irã, time comandado pelo treinador Alex Dardengo. O Irã se defendeu com bravura, e o Japão chutou a gol mais de uma dezena de vezes, algumas com muito perigo. No fim, acabou perdendo a partida e a classificação. Mas a verdade é que a equipe jogou desfalcada mais uma vez, o que foi uma constante ao longo do torneio. Além disso, outra verdade seja dita: não parecia uma equipe aplicada como as demais em nossos treinamentos, com muitas faltas dos jogadores - o que acabou por se refletir no momento decisivo. Uma equipe talentosa que podia ter ido mais longe, e isso foi conversado com os jogadores. Que fique o aprendizado. Valeu pelo espírito esportivo.

[Japão e Irã confraternizando antes da partida]
E chegamos então às finais da categoria sub-10. A Suíça partiu para enfrentar a fortíssima equipe de Portugal, favorita desta Copinha. Quem olhar friamente o placar vai pensar que o jogo foi uma moleza pra eles, mas nada disso: nossa equipe portou-se muito bem em quadra, com valentia! Marcou em cima, endureceu a partida, jogou com inteligência reduzindo os espaços. Terminou o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 e o plano era conseguir um contra-ataque para empatar. Acontece que, no início do segundo tempo fizemos as substituições combinadas - e nos demos mal... o time se desorganizou, levou três gols e só aí 'entrou' de novo no jogo. Quando conseguimos estancar a sangria de gols já era tarde. Mas nada de abatimento: a Suíça foi, ao longo de toda a Copinha, uma equipe organizada e solidária, comandada especialmente por Diogo Mattos atrás e Leonardo Zagury lá na frente. Foi a única derrota em toda a competição. Palmas para todos eles - vamos ficar com esses sorrisos de recordação!

[Suíça: solidariedade e alegria em quadra]
Mas até aí, até aí (repito), nosso combalido coração estava aguentando as coisas, as vitórias e as derrotas como devem ser. Até que a Itália entrou em quadra. E aí foi demais pra nós. Senão vejamos: jogaram a semifinal e venceram a Bósnia (do treinador Helvécio Penna) com autoridade por 2x1. Digo, controlaram a partida, não passaram sufoco, podiam até ter feito mais gols. Parecia que estavam se guardando para o grande confronto final. E não deu outra. A final desta categoria, entre Itália e Portugal, já está marcada como um dos maiores jogos da História da nossa querida Copinha.

O futebol ensina demais. Vargas Llosa gosta de lembrar que é a melhor metáfora da vida. E, para além das estratégias, da tática e do palavrório dos treinadores, o que foi pedido aos jogadores foi uma coisa só: coragem. Uma final se joga com coragem. E a Itália assim o fez - à risca! Logo no início da partida um susto no poderoso rival: nosso xerifão Bernardo Pimentel invadiu a área, driblou o marcador e bateu no cantinho: 1 a 0 pra nós e explosão do ginásio, que a esta altura estava lotado e totalmente imerso nas emoções da decisão. O jogo era lá e cá, franco, com belas jogadas e chances para os dois lados - até que, com dois chutaços de meia distância (um no final do primeiro tempo, outro no início do segundo), Portugal virou o jogo. A equipe comandada pelo treinador Gustavo Lima possui artilharia pesada e farto repertório de jogadas. Um baita time!

Só que... a gente joga até o final. E aí foi isso: o coração na ponta da chuteira e a garra inequívoca dos grandes times. A Itália jogou tudo, com o coração, até o final - e foi premiada! O jogo se encaminhava para a vitória de Portugal quando, após mais uma arrancada de Davi Mesquita, eis que surge, entrando em diagonal como um raio na segunda trave, Bernardo Pessoa - e daí para as redes!! O ginásio veio abaixo! Êxtase total, uma dessas catarses futebolísticas! Faltavam 10 segundos para o fim da partida. A torcida enlouqueceu, os jogadores se abraçavam, o juiz encerrou o jogo. Confesso que ali, marejei. Mas tinha mais: precisávamos encarar as penalidades máximas.

E o futebol pode ser tão belo quanto cruel. De onde reunir forças após um clímax destes? Pois bem, lá fomos nós. O adversário converteu suas duas primeiras cobranças. Nós, também, sendo a primeira com o capitão Rafinha (que fez mais uma Copa do Mundo impecável). Daí eles marcaram o terceiro gol - nosso arrojado goleiro Antonio Lacombe fez o que pôde. E chegou a vez do artilheiro Davi. Como dizia Nelson Rodrigues, no segundo que durou sua arrancada para o chute fez-se um silêncio ensurdecedor. Expectativa pura. Davi bateu. A bola, caprichosa, subiu até bater no travessão, desceu e quicou na linha - e não entrou. Portugal venceu.

[Itália: Vice-Campeã com talento e coração]
 A Itália perdeu. Perdeu? Com a bola rolando, esse time não foi derrotado uma única vez no campeonato inteiro. Perdeu uma penalidade fortuita, que poderia ter entrado com um sopro qualquer. Não, meus caros: o sentimento não foi esse. O choro do craque Davi foi abraçado por todos. O clima no ginásio era um misto de comoção, amizade e alegria dos vencedores. Uma pitada de tristeza, mas não uma tristeza ressentida, raivosa ou abandonada. Uma tristeza de emoção genuína, que pode ser encarada, daqueles que se sentem com o dever cumprido e que, por um golpe caprichoso do destino, precisaram elegantemente dar a vez no degrau mais alto do pódio. Mas não tem nada não porque, aqui no Chutebol, a gente valoriza Vice-Campeonato sim!

Sem desespero. Quem ganha sorri e quem perde, se quiser, chora. Mas o maior ganho dessa molecada é poder encarar as dores e as delícias do esporte com um estofo emocional cada vez melhor, fazendo amigos, podendo reconhecer os méritos do adversário e alternar entre a brincadeira e a competição nestas andanças.

Obrigado às famílias pelo apoio de sempre e pela colaboração na campanha 'Adversário não é inimigo!'. No mais, é como a gente costuma dizer: Copinha é que nem Natal, tem todo ano! Até 2015!

Aquele abraço, saudações esportivas

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Kids

Caros (as),

O Projeto Chutebol nasceu a partir da percepção de que o nível de competitividade exigido das crianças e jovens, de maneira geral, havia tomado uma dimensão insana. Não apenas no futebol ou no esporte, mas em seu cotidiano mais amplo. Daí que, passados 13 anos de trabalho, constato que infelizmente essa tendência competitiva não só não refreou - como continua crescendo. A imagem abaixo quem enviou foi uma pessoa muito especial, lá de Londres.



Mas por que tudo isso, agora? Sessão nostalgia? Bem, pode ser. Mas o que importa é o conteúdo da placa: "Por favor, lembre-se: São crianças; Isto é um jogo; Os treinadores são voluntários; Os árbitros são humanos; Esta não é a Six Nations". (6 Nations é uma competição importante de Rugby profissional entre as maiores potências européias). Pois é: uma singela placa num jogo infantil, na Inglaterra, procura lembrar aos adultos que um jogo de crianças deve (ou deveria) ser só isso: um jogo de crianças.

Só que não. Ao longo dos anos nós do Chutebol temos tentado achar uma combinação ótima, nas competições, entre a vontade de ganhar e uma certa ética que deve balizar nossa agressividade mais profunda. Já nos portamos, no início do projeto, de maneira até ingênua nas competições, o que também não dava muito certo; existe algo da vontade de potência de cada um que deve ser colocado pra fora. A competição não é um mal em si - aliás, bem trabalhada, ensina muitas coisas, todos sabemos. Uma dureza da vida precisou ser encarada por nós junto com as crianças. Faz parte, fez bem.

A questão é o 'como'. Tenho sentido o mundo cada vez mais competitivo, no pior sentido do termo. Vivemos tempos de incerteza: quanto ao futuro do planeta, quanto às questões econômicas e sociais, quanto à água, quanto ao-que-vai-sobrar-pra-cada-um. E daí pro salve-se quem puder, que infelizmente é o que salta aos olhos. Claro, existem e sempre existirão pessoas generosas, projetos solidários, alguma poesia. Mas, como conversei com um amigo por estes dias: são tempos bicudos, quase uma distopia.

No próximo sábado vamos disputar as finais da Copinha (uma espécie de Intercolegial) e tenho sentido, nas arquibancadas e nas partidas, um clima bastante tenso. Não só pela disputa (o que é natural), mas uma tensão que transborda o jogo em si. Acho que estou tentando dizer que a atmosfera geral do nosso tempo é a de um clima tão competitivo que isso está atingindo em cheio e fazendo muito mal a muitas crianças. Dava pra falar numa espécie de narcisismo exacerbado, num medo extremo de perder (perder o quê?), numa necessidade de destruir o outro para se perceber vivo. Mas isso dava outro post, mais psicanalítico.

Ao contrário, venho aqui deste espacinho pedir pelas novas gerações: generosidade, solidariedade e acolhimento. Não estou falando de ingenuidade, pieguismo. Nem negando a fera que há em nós. Mas a gente precisa parar pra pensar sobre o que vai fazer com ela sob pena de, cada vez mais, devorarmo-nos uns aos outros.

Aquele abraço, saudações esportivas


(PS: a foto acima nos foi enviada pela Camila Tramujas, mãe do nosso ex-aluno Bruno Tramujas. O Bruno, aliás, foi quem batizou o blog e, por extensão, o projeto: Chutebol. Ele chegou com quatro aninhos e vivia repetindo: "Vamos jogar Chutebol, vamos jogar Chuteboool??!". Daí, quando precisei de um nome, o estalo: nada mais lógico do que 'Chutebol' para um projeto de brincar de bola. Bruno ficou com a gente cerca de dez anos e hoje segue seu caminho. Mandamos um beijo carinhoso pros dois!)

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sociedade excitada

Caríssimos (as),

O blog Chutebol traz um pequeno recorte do psicanalista Joel Birman, que nos ajuda a refletir sobre uma certa cultura do excesso nos dias em que vivemos. Quando tantos 'transtornos' são diagnosticados (como se fossem algo que subitamente acometessem o sujeito, não sendo reflexos de sua subjetividade); quando um número outrora inimaginável de crianças e adultos são tidos como 'hiperativos', cabe mais uma vez perguntar qual é o pano de fundo cultural e social para a produção de um determinado modelo subjetivo - categórico do século XXI. Boa leitura!

[Clique na charge!]
"Antes de mais nada, é preciso reconhecer que as individualidades contemporâneas ultrapassam um certo limiar, vigente anteriormente, no registro estrito da ação. Algumas novidades se fazem aqui presentes, caracterizando um certo estilo de ser do sujeito na contemporaneidade, em oposição ao momento histórico que o precedeu na longa duração. Se a condição de ser ao mesmo tempo pausada e reflexiva delineava o estilo de ser na Modernidade, não obstante as descontinuidades e as rupturas intempestivas que o marcaram e caracterizaram, a aceleração do sujeito é o que se destaca na contemporaneidade.

O ser interiorizado no registro do pensamento se transforma no ser exteriorizado e performático, que quer agir, antes de mais nada. Assim, a hiperatividade se impõe. Age-se frequentemente sem que se pense naquilo a que se visa a ação, de forma que os indivíduos nem sempre sabem dizer o que os leva a agir. O sujeito da ação tem a marca da indeterminação. No cogito da atualidade, o que se enuncia ostensivamente é: agir, logo existir. O agir é o imperativo categórico na contemporaneidade.

Retomando o que já enunciei acima, pode-se dizer que as individualidades seriam marcadas pelo excesso, que as impele inequivocamente para a ação. Isso porque esta seria a melhor forma para se ver livre daquele e poder então eliminá-lo. Caso não façam isso, as individualidades seriam possuídas pelo excesso, que as inundaria pela angústia.

É desse fundo difuso e indeterminado que se pode depreender algumas das modalidades específicas de ação nas subjetividades contemporâneas. A explosividade, antes de tudo. Tudo se passa como se essas não conseguissem mais conter o excesso no seu território interior, para em seguida simbolizá-lo e transformá-lo naquilo que Freud denominou ação específica, isto é, numa ação adequada ao contexto em que uma dada afetação foi colocada pelo psiquismo. Diante dessa impossibilidade, a descarga de excitabilidade se impõe sob a forma de manifestações emocionais incontroláveis.

Com isso, a irritabilidade é uma constante na forma de ser das individualidades atuais, marca insofismável do seu ser. Um dos maiores problemas sociopolíticos da atualidade é a violência."

[Birman, 2012 - 'O sujeito na contemporaneidade']