Páginas

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Esquecimentos

Caríssimos (as),

As férias de Julho vêm aí e o Chutebol vai tirar um recesso, um recessinho de uma semana. Essa semana a bola ainda rola, mas semana que vem não tem aula nem postagem... Para fechar o semestre, então, nada melhor do que aquela pausa no tempo. Pedimos ajuda aos poetas, que sabem das coisas. O visceral Arnaldo Antunes nos socorre, logo ali embaixo.



Bem sabemos que outro poeta (vocês hão de lembrar quem) já avisou que o tempo não para. Tudo bem, nos resignamos - mas isto não quer dizer que não existam maneiras distintas de se relacionar com ele. Ele, o tempo. 


Pensando bem, talvez exatamente aí resida o fio da meada em poder respirar noutro ritmo, brincar um pouquinho e até jogar com a molecada. Porque é preciso, como vai nos lembrar o Arnaldo, esquecer um pouquinho de si, entrar num tempo diferente - ou até num túnel do tempo (será que alguém lembrou de sua infância, jogando bola aí nas fotos??).


Agradecemos aos familiares pelo carinho com o Chutebol. As crianças simplesmente a-do-ram quando os pais vão lá jogar. Aquele abraço, saudações esportivas!


Coleção de esquecimentos

eu tenho uma coleção de esquecimentos
e apenas duas mãos para ver o mundo
meu dia passa inteiro num segundo
mas nada abafa a voz dos meus pensamentos

nem frontal e nem melatonina
eu tenho as saudades de um soldado
do que haveria de ser o meu passado
de tudo que escapou da minha sina

desculpas, culpas, lapsos de sinapses
impregnam minha corrente sanguínea
e sigo apassivando a carne ígnea
e aplainando os vértices dos ápices

eu sou o super-homem submisso
às rotas da rotina e ao tempo escasso
enquanto esqueço do próximo passo
anoto um outro novo compromisso

queria estar a sós comigo mesmo 
e ter a eternidade toda em torno
desfalecer no fogo desse forno
até me desfazer como um torresmo

[Arnaldo Antunes, 'Aqui ninguém precisa de si', 2015]

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pós-trauma

Caros (as),

Um ano exato se completou, dias atrás, do vexame da Seleção contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014. Eu, que estava na arquibancada do Mineirão e nunca vi sequer um gol daquele jogo pela TV, pretendo rever o jogo. Não faltaram, na imprensa em geral, matérias, comentários e toda sorte de referências a esta hecatombe futebolística - certamente com o bálsamo da distância que permite, nos melhores casos, ao menos visões mais complexas do que aquelas em momento de agonia. Mas o Chutebol vai dar um pitaco também, como deu à época. 


Me parece que a ideia não é ficar tentando explicar o inexplicável dos 7 a 1 em si, dado que este é o fato incontestável: um banho de bola, uma lavada, uma roda de bobos etc etc etc. As comparações entre as sociedades me pareceram bastante cabíveis ('não é só no futebol que a Alemanha dá de 7 na gente', li em muitos lugares); e o evidente despreparo da Seleção como um todo, de cima a baixo e de baixo a cima, para levar uma enfiada daquelas. Ok.

Bem, o mundo não acabou e nem deve acabar por conta de um desastre desportivo. Mas, dentro deste universo profundo que é o futebol, que move bilhões de pessoas, bilhões de dólares e turbilhões de emoção, vale pensar esse rolo todo como um pós-trauma. Vou tentar fazer um ponto.

Gosto da metáfora de Vargas Llosa: "O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo, com a garantia do espaço para a competência individual". Bem sabemos que da teoria para a prática vai um abismo, particularmente no caso brasileiro. Mas, se efetivamente puxarmos o fio da meada do futebol como metáfora válida de uma determinada cultura (se o futebol for reconhecidamente relevante ali), podemos fazer mais do que condenar os condenados de sempre. A História já se encarregou destes. Inclusive se encarregará dos patifes da CBF que foram presos. Gostaria de falar de outro lugar.

O trabalho com crianças é um campo privilegiado para observar como elas percebem o futebol em sua cultura mais ampla. E o que tenho visto é que, especialmente após a Copa de 2014, e podendo acompanhar os grandes times europeus pela TV, a molecada brasileira está (re?) aprendendo a admirar o futebol para além dos resultados. Digo: suponho que se encaminha um retorno à ideia de que é preciso jogar bem. É digno, é honroso, é estético. Dá orgulho. As crianças e os adolescentes hoje em dia, com tanta informação, acompanham algo que os comandos do futebol brasileiro (clubes, federações) ainda não conseguem resolver: como voltar a apresentar um bom padrão geral de futebol? Como fugir à imposição de resultados desde as categorias de base? Não por acaso perguntamos no dia fatídico, aqui no blog: afinal, o que se espera de um jogador brasileiro?

Noutro dia eu soube de mais um jogo infanto-juvenil, entre dois clubes grandes da Federação de Futsal do Rio de Janeiro, que acabou em pancadaria. Pancadaria, vias de fato. Porrada, perdoem. Profissionais da área, atletas e mais: a torcida junto. Torcida? Pais e familiares da arquibancada. Pasmem. Isso não é sintoma? É ingenuidade pensar que pode ter sido coisa do jogo, do juiz, um ponto fora da curva. Nada disso. É comum.

Estou tentando dizer que a cultura do resultado, excessivamente pragmática, cumpre papel fundamental na crise do futebol brasileiro. Pois é falsa a seguinte questão: 'formar para jogar bem' versus 'formar para vencer'. Nada mais falso. Ilógico, até. Como é incorreta a ideia de que um time feito para jogar no contra-ataque (que adote uma postura mais defensiva) pratique necessariamente um jogo feio ou covarde. Depende da postura de seus jogadores em campo. Mas isso é outro papo.

Não vou me alongar. Mas a ânsia pelo resultado a qualquer custo é sintoma de um modo de pensar e jogar que não consegue lidar com a incerteza. Se não pode lidar com a angústia da incerteza (me refiro à imprevisibilidade do resultado final da partida) é porque não confia em si e no seu jogo. Se não confia em si, só resta como ataque não a bola, mas o menosprezo ao adversário, que passa a ser visto como inimigo a ser destruído. Perder é insuportável. Vale tudo, absolutamente tudo, pela suposta garantia da vitória, como se tal garantia fosse possível. E seguimos nós, formando pequenos jogadores que, ao se tornarem atletas profissionais, em sua maioria pensam que podem ganhar na marra, na 'vontade' ou na corrente de oração. Porque estão muito pouco preparados para jogar futebol e lidar com toda sorte de percalços das partidas e dos certames.

Isso não é mudado num passe de mágica, mas o indicativo que mencionei, o da exigência da qualidade antes do resultado, é mais que bem-vindo. Porque influencia a cultura, o modo de se assistir, cobrar, jogar. Aponta na direção de uma preparação mais profunda e consistente. É preciso se apresentar bem. Como são bem-vindas as ações do Bom Senso FC em relação às finanças dos clubes, calendário das competições, etc - e muito saudadas as prisões de dirigentes corruptos. Quiçá uma liga de clubes no lugar da CBF.

Se o que estou falando faz algum sentido, as próximas gerações, cascudas depois da traulitada que a Alemanha nos impôs, talvez consigam fazer outras escolhas, na medida em que o público vai ficando mais exigente. A elaboração do trauma, isso já se sabe, é exatamente a busca de um sentido, na tentativa de não repetir o indesejável acontecido. 

Aquele abraço, saudações esportivas

terça-feira, 7 de julho de 2015

Ser ou não ser

Prezados (as),

É natural as crianças, à medida em que vão crescendo e se desenvolvendo, ficarem se medindo com seus pares: 'sou maior que fulano, menor que sicrano, faço melhor isso ou pior aquilo', etc. Claro, não só as crianças, nós adultos também o fazemos - pela lógica da coisa, desde crianças. 

[Clique na imagem!]
E nisso não há nada de errado, já que todos crescemos, também mas não só, por meio das identificações que vamos conseguindo construir no decorrer da vida. De dentro de casa para fora, do modelo parental para as rivalizações da escola, para a vida social mais ampla - e hoje em dia com os modelos implacáveis (e sem fronteiras definidas, já que estão tanto em casa como na escola, como em qualquer lugar e a qualquer tempo) do mundo virtual e midiático. Bem sei que aí existem questões fundamentais para pensar o século XXI, mas não é esse o ponto ao qual pretendo me deter por ora.

Assim como estas comparações fazem parte do desenvolvimento normal, elas por vezes dificultam a vida do sujeito se ganham o peso de algo em excesso. Gera sofrimento. Chegando ao meio desportivo e ao futebol, mais especificamente, é comum quando uma criança desiste de praticar uma modalidade. "Ele diz que é ruim", diz a mãe ora resignada, ora meio jururu. O professor se põe a pensar.

Lembra de como era o Joãozinho nas aulas: realmente, não era um craque. Mas lembra de seu desenvolvimento ao longo do tempo, de seu crescimento e de suas aprendizagens. O professor se recorda também de que expunha este tipo de questão para a turma, fundamental para que não ficasse o não-dito. As pessoas são diferentes, têm recursos diferentes, podem contribuir com a equipe numa partida de diversas maneiras. Isso é sabido pelas crianças mas, se o adulto não abre este espaço para que isto seja dito, o mais fácil de acontecer é ficar o fantasma da divisão entre 'bons' e 'ruins'. Quero dizer que as crianças percebem quem é bom de bola e quem não é, e não adianta ficar tapando o sol com a peneira, com o discurso boboca do 'aqui todo mundo é igual'. Não, não é, ainda bem. Mas como abordar isso?

Pois bem, evidente que não nego que existam bons e ruins - mas isso só vale ser posto desta forma no sarro da pelada dos adultos, no jogo dos profissionais. E aí não se trata de ser politicamente correto porque, se estamos falando de educar pelo esporte, ao pequeno jogador que seria tido como 'ruim', pode-se (deve-se) apresentar a ele possibilidades de aprender maneiras de jogar. Pelo posicionamento, pela noção de solidariedade e de valentia, pelas técnicas básicas do jogo. Mesmo que não seja craque, aquele um vai estar ao menos equipado para participar e competir. Do seu jeito.

É aí que entra a questão da comparação, lá de cima. Em algum momento, se a criança diz que não quer mais jogar porque é ruim, mas pais e/ou professor relembram de seu percurso positivo no esporte, cabe perguntar: ruim comparado a quem? Ao quê? Se isso é comum na infância, é mais ainda na entrada da adolescência. Digo: qual modelo de comparação está tão pesado a ponto de o aluno querer desistir, de não reconhecer e sustentar a própria singularidade na maneira de fazer as coisas? Porque a comparação e a rivalização são necessárias, e mesmo estruturantes - o que estou falando é do excesso acima referido.

Podemos pensar em vários aspectos: um Ideal parental, um Ideal escolar, um Ideal midiático-social. A teia de tudo isso na qual o sujeito está inserido, à sua revelia. Ele nem percebe, claro. Quantos adultos também não? Quão bom alguém tem de ser para, simplesmente, fazer aquilo que gosta? Bom para quem? 

Uma criança pode desistir de um esporte genuinamente. De boa, porque cansou. Ou não. É preciso atenção. Vejo a infância atual, muitas vezes, com um compromisso muito cruel com o sucesso. Com uma ideia de eficiência muito precoce. Isso gera confusão e é contrário ao próprio tempo de maturação de suas capacidades psicomotoras e sociais. 

O bom é diferente do Ideal

Aquele abraço, saudações esportivas

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Registro: Torneio Interno Junho/2015

Caríssimos (as),

O Torneio Interno de Junho/2015 foi simplesmente sen-sa-cio-nal! Ginásio lotado, frio na barriga, bola rolando e... muitos gols! As fotos enviadas pelos pais estão em nosso álbum - no canto inferior direito do blog, ou pelo link: http://www.picasaweb.google.com/rodrigotupicarvao

[Nova Iguaçu: Campeão!]

Em primeiríssimo lugar gostaríamos de agradecer aos familiares que compareceram, com muita empolgação e carinho, para incentivar os jogadores. Insistimos que as atitudes infantis são tremendamente influenciadas pelos adultos à sua volta, então é muito importante sustentarmos um ambiente acolhedor. Aliás, inclusive quando alguma criança estiver sendo agressiva dentro de quadra, precisamos supor que ela está em dificuldades ao reagir de maneira desproporcional, e é nosso dever ajudá-la - e não crucificá-la, não é mesmo? Para que esta mesma criança, conforme vá crescendo, possa perceber como é bom ser acolhido em seus momentos mais difíceis; e isso não significa, de maneira alguma, deixar de impor a ela as regras comuns a todos. Não é 'um-ou-outro'. Me parece importante poder refletir sobre isso.

Com relação aos jogos em si, acredito que tenhamos visto boas apresentações, em que pese um torneio infantil ter suas particularidades. As saídas de bola, por exemplo, ainda são nestas faixas etárias muito inseguras (o medo de perder a bola na frente do próprio gol), daí a opção de muitos goleiros em tentar a famosa ligação direta com o ataque; e provavelmente porque, por experiência ao longo dos anos, temos feito a opção de trabalhar o posicionamento defensivo no primeiro semestre - pois sem saber se posicionar em quadra, ninguém consegue sequer competir. No segundo semestre é que intensificamos os treinamentos na parte ofensiva. E os alunos expressaram isso em seus jogos. É natural.

No mais, entre (quase) mortos e feridos, saíram todos vivos: uns meio chateados porque perderam, outros muito felizes porque ganharam; muitos vencedores e vencidos se abraçando, alguns pais achando que o treinador errou numa mexida, numa escalação aqui e acolá. De antemão, assumo: erramos, mesmo! Mas também devemos ter acertado... O importante é não perder de vista que, para além do esporte, estamos falando mesmo é de educação como um valor, em seu sentido mais profundo. E assim segue o futebol, com sua magia que teima em nos tirar do eixo mas, igualmente, nos faz explodir de alegria! Obrigado a todos mais uma vez e seguem abaixo os resultados:


Categoria 09 a 12 anos (Capitães com*):

CampeãoNova Iguaçu [Thomaz Miranda*, Antonio Lacombe, J. Victor Terra, Bento].

Vice-CampeãoReal Madri [Luis Fernando*, Rafinha, Igor Dana, Yan, Arthur Castro]

3o LugarBatatinha [Lucas Moreira*, J. Pedro Drummond, Felipe Miranda, Juca, Rafael Toledano, Caio Laury].

4o LugarDig Din Poderoso [Pedro Igreja*, Josué, Marquinhos, Humberto, Vicente Lisboa].

5o LugarFifa 18 [Pedro Saulles*, Diogo Mattos, Leo Zagury, Daniel Antabi, Paulo Sergio].

6o LugarBarney de Munique [Mathias Sussekind*, João Naliato, Thiago Bacellar, Rafael Martins, Gustavo Dulens].

7o Lugar: Maracanã [Guilherme Burity*, Rodrigo Girardi, Tomás Girardi, Artur Sérigo, Hugo Ferreira, Bernardo Pimentel]

8o Lugar: Peppa Pig: [Pedro Levinson*, J.Pedro Aquino, Miguel Balbuena, Gabriel Arcalji, P. Henrique Bermudes, Bernardo Mascarenhas]


*Premiação Especial (a cor corresponde à equipe):

Craque: Bento Lima
Artilheiro: Bento Lima
Melhor GoleiroThiago Bacellar
Medalha Raça: Rafael Martins


[Leões: Campeão!]

Categoria 06 a 09 anos (Capitães com*):

CampeãoLeões [Antonio Salomone*, Bruno Favilla, Miguel Mello, Gabriel Junqueira, Thiago Palacios].

Vice-CampeãoOs Ferozes [João Victor*, Davi, André Massa, Diogo Gavinho, Danilo].

3o Lugar: Vulcão [Felipe Souza*, Antônio Ketter, Arthur Souza, Rafael Garcia, Rafael Austin].

4o LugarBatatas Militares [Pedro Futura*, Felipe Jourdan, Bem Moura, Fred Martins, Danilo].

5o LugarGoleadores [Caetano*, Arthur Storino, Pedro Barreto, Gabriel Brakarz, Pedro Porto].

6o LugarFutebol Clube [Pedro Burlamaqui*, Pedro Abba, Henrique Miranda, Pietro, Vinícius Dobbin].

7o Lugar: Bazuca da Pesada [Bernardo Pessanha*, Enzo, Danilo, Theo Miziara, Luca]

8o LugarDetonadores[Joca*, João Caminha, Daniel Matta, João Arraes, Felipe Stopatto]

[Amizade é isso aí!]

*Premiação Especial (a cor corresponde à equipe):

Craque: Antônio Salomone
Artilheiro: Antônio Salomone
Melhor GoleiroDanilo
Medalha Raça: Davi


Aquele abraço, saudações esportivas

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Arquibaldos

Caros (as),

Não é raro um papai ou uma mamãe procurar o professor para, na época das competições, perguntar: "Puxa, como eu faço pra torcer? Será que eu atrapalho meu filhote quando fico gritando muito ali da arquibancada?". É pergunta legítima, mesmo que à primeira vista possa parecer banal. Mas não é.


O momento da competição, do jogo valendo, é extremamente rico dentro da educação esportiva. Numa espécie de liquidificador emocional, diversas aprendizagens são exigidas: desportiva, cognitiva, social, afetiva. Tudoaomesmotempoagora, já que estes processos ocorrem ali, no jogo, com a chapa quente. E é claro que cada jogador vai lidar com isso à sua maneira. 

Creio que precisei falar de uma percepção geral dos alunos para chegar aos papais e mamães torcedores - o que me remeteu à expressão em inglês da palavra, support. De suportar, dar suporte a, sustentar. Mas dar suporte a quê? Eis a pergunta a ser respondida. A meu ver é dar suporte para que a criança consiga exercer, fazer uso de algo valioso: sua própria espontaneidade, sua maneira de jogar.

E talvez este suporte seja melhor aproveitado pelo pequeno jogador quando, na fantasia que envolve os campeonatos, pais e mães compreendam de modo natural o lugar de cada um. Porque quando a bola rola todo mundo entra na fantasia, não é mesmo? Senão, vejamos: o professor vira treinador; o aluno vira jogador; e  o pai se transforma em... torcedor!

[Tabelão do Torneio À Vera!]
Daí que a animação da arquibancada, como nos jogos oficiais, contagia as equipes. Existe uma espontaneidade na torcida que empurra a criança a poder se valer da sua própria - e isso é uma tremenda força para quem quer estufar as redes. Uns são mais efusivos, outros nem tanto. Cada jogador vai aprendendo a reagir às manifestações da torcida. Assim, respondendo à pergunta lá de cima: pais e mães não devem se preocupar em 'torcer certo'. Isso seria muito chato e politicamente correto. Sem alegria, detestavelmente mecânico. Nada a ver com uma partida de futebol.

No entanto, o que deixa a criança confusa é quando o adulto transborda o lugar que lhe é reservado na fantasia - porque aí ele invade os demais espaços. O torcedor querendo ser treinador. Ou o treinador querendo ser torcedor. Ou ambos quase querendo entrar em campo e jogar pela criança, como se ela tivesse que seguir rigorosamente um jeito ideal de jogar. Quando isso acontece, não dá pé.

Ao contrário, quando o adulto pode respeitar os espaços por, genuinamente, confiar na criança, esta  se vê enriquecida em suas possibilidades de confiar em si mesma e se arriscar ao jogo. Pelo suporte obtido. Vai, enfim, perder e ganhar, rir e chorar como a vida ensina - com o aconchego do acolhimento necessário, seja lá qual for o resultado da peleja.

Aquele abraço, saudações esportivas